A detalhes mórbidos avisarei 

Que este já não é mais nosso mundo 

Em mim já não há mais cor,

Em você só restou trevas. 

 

Parentes já não existem mais 

E o sol se declarou inimigo,

A lua se tornou nossa mãe 

E a neblina nosso refúgio. 

 

Contemplo o líquido vermelho na taça 

Os detalhes de prata na borda 

Seus dentes brilham entre o batom

Dos teus lábios tão carmesim. 

 

Seu vestido negro arrasta sobre o mármore

E o som de meus sapatos ecoam no salão

Em meu trono, ouço choros de aflição

Vindos hora do mundo, hora do calabouço. 

 

Um castelo nada rudimentar 

Localizado entre fendas do tempo 

Meu corvo sempre pronto para avisar 

Aqueles que ousam pisar nessa terra. 

 

Quatro anéis em meus dedos

Almas flutuam neles, sem descanso ou paz 

Desde o menos culpado até o mais cruel 

Minha sede não tem limites. 

 

A noite poderia ser tão eterna quanto é bela

Eu e você reinando 24h por dia

Nós dois, sem medo e sem esconderijo

Como trocar de pele e ficar indestrutível.

 

Nosso sucessor aos meus sapatos

Ditando palavras impossíveis de se ler 

Ainda é uma pupa, frágil e mortal 

No reino que algum dia ela governará.

 

Vamos mostrar aos cidadãos 

A consequência de terem um sangue belo 

Um líquido tão agridoce e viciante! 

Eles não sabem o porquê, tão indefesos! 

 

Essa vida tem seus altos e baixos 

Prazeres e angústias góticas 

Sem o direito de morrer

Toda dor sofrida é ampliada.

 

 

 

 

 

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