Obra N.° 13: Poema Gótico
A detalhes mórbidos avisarei
Que este já não é mais nosso mundo
Em mim já não há mais cor,
Em você só restou trevas.
Parentes já não existem mais
E o sol se declarou inimigo,
A lua se tornou nossa mãe
E a neblina nosso refúgio.
Contemplo o líquido vermelho na taça
Os detalhes de prata na borda
Seus dentes brilham entre o batom
Dos teus lábios tão carmesim.
Seu vestido negro arrasta sobre o mármore
E o som de meus sapatos ecoam no salão
Em meu trono, ouço choros de aflição
Vindos hora do mundo, hora do calabouço.
Um castelo nada rudimentar
Localizado entre fendas do tempo
Meu corvo sempre pronto para avisar
Aqueles que ousam pisar nessa terra.
Quatro anéis em meus dedos
Almas flutuam neles, sem descanso ou paz
Desde o menos culpado até o mais cruel
Minha sede não tem limites.
A noite poderia ser tão eterna quanto é bela
Eu e você reinando 24h por dia
Nós dois, sem medo e sem esconderijo
Como trocar de pele e ficar indestrutível.
Nosso sucessor aos meus sapatos
Ditando palavras impossíveis de se ler
Ainda é uma pupa, frágil e mortal
No reino que algum dia ela governará.
Vamos mostrar aos cidadãos
A consequência de terem um sangue belo
Um líquido tão agridoce e viciante!
Eles não sabem o porquê, tão indefesos!
Essa vida tem seus altos e baixos
Prazeres e angústias góticas
Sem o direito de morrer
Toda dor sofrida é ampliada.
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