Somos atores
Na eterna expectativa para o início do espetáculo,
estamos apartados, concentrados, cenas complementares.
Me preparo para o grande ato,
observo as cortinas do proscênio do antigo teatro,
penso na nossa primeira troca de olhares,
idealizo belas interpretações.
Primeiro ato...
Você chega de mansinho,
extraordinária espera,
como já esteve em outros bastidores.
se aproxima calmo,
não te reconheço, face desconhecida;
observo teu corpo,
te vejo com contornos indefinidos,
visão encoberta, visão turva,
luzes apagadas.
Segundo ato...
Corações de tempos antigos,
almas atadas
finalmente se encontram,
estão unidos para dramas encenados
ao som de antigas árias,
trocam olhares silenciosos,
toques sutis,
abraços cerrados,
desejos aflorados,
súbito calor,
palavras confundidas, fictícias,
difusas, perdidas...
Finalmente te reconheço, você estava em meus pensamentos...
Guardado em instantes, eternizados.
Fim do segundo ato.
Autora: Ive Nenflidio
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