À beira do cais

À beira do cais sussurra a maresia soberba e furtiva
Ondas ternas e apaixonadas esboroam-se ali tão passivas
Algures no horizonte dormitam solidões cálidas e purgativas
Precisa e atormentada cada hora fenece numa sinfonia
De atrativos silêncios dementes ferozes e muito possessivos
Aglutinaria a noite todos estes ecos latentes e expressivos?
Pela escuridão tranquilizante flui o poente quase inquisitivo
À margem da solidão fertiliza-se esta luz imensa e intuitiva
Cada palavra supera e implora pela fé navegando mais efusiva
Frederico de Castro
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