Deambulatório
Por vaguear
Questiono o que estas pedras já terão visto
Se não sendo pedras de todo
Algo mais nobre teriam previsto.
Se viram corpos, se viram asas
Se todo o firmamento nas suas amarras
Se águas dúvidas fundaram
E todavia nada lavaram
Por todos os campos de calçada
Me arremesso, deambulante.
Se és casado com a solidão
Basta seres triste para ficares só
Podes gostar de não gostar
Pagar ouro por mero pó.
As pedras têm com as aves
A perversa intimidade
Umas observam-nos altivos
Enquanto outras nos vêem de alto
Pelos meandros de calçada
Navego, deambulante.
Leio nos meus pensamentos
Mais do que quero noutro alguém
Foram estas mesmas rochas
Morada de outrora, do além
Mais rapidamente se veste um livro
Do que um rasgo de tecido
Um rasto indeciso
Na rapina do tempo omisso
Pelo flutuar da calçada
Num solilóquio deambulante.
Na dúvida exausta
Empilhamos ares de outras trovas
Bairros fazemos de nossas casas
Fazemos de velho coisas novas.
Fugimos do ardor
De entre quem do amor terá seu luto
Gosto de pouca gente
E de pouca gente gosto muito.
Por todos os campos de calçada
Sigo, deambulante.
Questiono o que estas pedras já terão visto
Se não sendo pedras de todo
Algo mais nobre teriam previsto.
Se viram corpos, se viram asas
Se todo o firmamento nas suas amarras
Se águas dúvidas fundaram
E todavia nada lavaram
Por todos os campos de calçada
Me arremesso, deambulante.
Se és casado com a solidão
Basta seres triste para ficares só
Podes gostar de não gostar
Pagar ouro por mero pó.
As pedras têm com as aves
A perversa intimidade
Umas observam-nos altivos
Enquanto outras nos vêem de alto
Pelos meandros de calçada
Navego, deambulante.
Leio nos meus pensamentos
Mais do que quero noutro alguém
Foram estas mesmas rochas
Morada de outrora, do além
Mais rapidamente se veste um livro
Do que um rasgo de tecido
Um rasto indeciso
Na rapina do tempo omisso
Pelo flutuar da calçada
Num solilóquio deambulante.
Na dúvida exausta
Empilhamos ares de outras trovas
Bairros fazemos de nossas casas
Fazemos de velho coisas novas.
Fugimos do ardor
De entre quem do amor terá seu luto
Gosto de pouca gente
E de pouca gente gosto muito.
Por todos os campos de calçada
Sigo, deambulante.
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