esfinge
sete anos e um livro verde
capa e leitura duras
o cheiro contudo me fez lutar
para que fosse meu
não doutros irmãos
como se fosse agora
vejo se abrindo o quintal
por meio do verde livro
um mágico portal
cuja entrada de musgos
conduzia-me a novos mundos
parte de mim era fera
guardiã dessa entrada
por onde ninguém passava
já a outra havia-me
a liberdade do voo
escolhi a firmeza do tesouro
minha posse ninguém punha o olho
havia uma cidade onde ninguém passava
havia um lindo homem que desejava alcançá-la
o segredo era o tal perfume
sobre o qual quem presume
respondia ao magnífico enigma
o que é o que é
vem perfumado do verde da natureza
e guardado caducifoliamente
com perfumes em palavras
eis que édipo respondeu
o livro
mas ele não me atirou no abismo
apenas deixou-o aberto
transitando pela cidade ao seu bel-prazer
o tempo fez o odor desaparecer
e o perfume do mágico jardim
findou-se para mim
permanece apenas na memória
numa procura sem fim.
(kátia surreal: 25/9/2026)
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