Kátia Surreal

Kátia Surreal

escrevendo obscuridades da alma e do mundo.

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repentino corpo

dias de olhos secos
noites de lágrimas involuntárias
de quem tanto escreve mas nunca acaba
nenhuma vontade de chorar
só terminar de uma vez co' esta tortura
pensamentos são como pernas na sessão de spinning
tenho que dizer
apenas mais cinco meses e nenhuma vontade
vou acabar com tudo agora!
mas o ritmo é lento
ninguém sabe o que estou vivendo
ainda que tantos no mesmo barco
cada qual se afunda ou se salva à sua maneira
preciso findar logo o corpo
que a cabeça já se foi há muito 
minha desordem não quer obedecer a critérios estabelecidos
só que eu preciso lhe dizer tudo isso
eu preciso que você entenda!
meu tempo não se alinha ao sistema
mas tenho certeza que a atemporalidade tem tal força
que destrói todas as regras
só porque tenho que lhe dizer 
é que ora me sinto e sento aqui
com a solidão de sempre  e o vinho
às vezes a gata vem
porém só eu posso lhe dizer...
tenho que acabar com isto tudo
e mostrar ao mundo
que meu louco ritmo de ideias
até que tem razão.
bem, eu dizia sobre o corpo da minha tese
preciso concluí-la
não posso mais ficar aqui
caso não ria
até a próxima e obrigada mesmo assim.
(Kátia Surreal)




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Poemas

29

repentino corpo

dias de olhos secos
noites de lágrimas involuntárias
de quem tanto escreve mas nunca acaba
nenhuma vontade de chorar
só terminar de uma vez co' esta tortura
pensamentos são como pernas na sessão de spinning
tenho que dizer
apenas mais cinco meses e nenhuma vontade
vou acabar com tudo agora!
mas o ritmo é lento
ninguém sabe o que estou vivendo
ainda que tantos no mesmo barco
cada qual se afunda ou se salva à sua maneira
preciso findar logo o corpo
que a cabeça já se foi há muito 
minha desordem não quer obedecer a critérios estabelecidos
só que eu preciso lhe dizer tudo isso
eu preciso que você entenda!
meu tempo não se alinha ao sistema
mas tenho certeza que a atemporalidade tem tal força
que destrói todas as regras
só porque tenho que lhe dizer 
é que ora me sinto e sento aqui
com a solidão de sempre  e o vinho
às vezes a gata vem
porém só eu posso lhe dizer...
tenho que acabar com isto tudo
e mostrar ao mundo
que meu louco ritmo de ideias
até que tem razão.
bem, eu dizia sobre o corpo da minha tese
preciso concluí-la
não posso mais ficar aqui
caso não ria
até a próxima e obrigada mesmo assim.
(Kátia Surreal)




30

quando a poesia termina

há uma chantagem despercebida
quando a poesia termina
fica a linguagem do dia a dia
essa que sem roupas ou camuflagens
fura como cristais pontiagudos
fria e sem sangue qual matéria bruta

estou cansada quase desmaiada
mas continuarei escrevendo
aquecendo os dedos
e alguma parte de mim que não sei
nem me atrevo chamar de coração

quando a poesia acabar
a noite irá com ela
sobrando-me apenas 
a manhã de sol ausente

eu ainda persisto em juntar palavras
criar sentidos quando tudo já foi rompido
não há vazios só imensidão
e a tentativa em vão
de continuar quando se é preciso parar
e recomeçar mais uma vez
na nova margem
da folha da vida.
(kátia surreal: 12/9/2026)

12

sem pele

acordei nua
sem saber coisa alguma
a janela fechada e o escuro
o corpo pingando poro a poro
aos poucos e aos sustos
vou me inteirando
diante do espelho

vejo
um ser estranho
este é meu avesso
como me aceitar assim
contrariamente carmesim
isso já acontecia
ante situações frias
ou demasiado quentes

tudo o que me disser
o pico do grau da tez será ativado
ora corro perigo
nem mais fico a sós comigo
desejo sua companhia
quero sua distância

tenho medo
que toquem meu avesso
verdade estou em desespero
depressiva
no cume da carne viva
nada mais será sólido

sou a cortina vermelha
cerrando-se antes do último ato
sou um fim que se prolonga
na exatidão de um quarto
e a derradeira dose de mim
é um vinho tinto seco.
(kátia surreal: 14/9/2026)


5

fugindo da tese

estou
poeticamente fugindo da tese
mais trágico que isso
só o compromisso rompido
com a terapia

ando
fugindo demais
de tudo o que é realidade
só não posso de fato
fugir de mim mesmo
puro devaneio

continuo
escrevendo poesias
uma linguagem inexistente
tecendo a alma que tudo sente.

transformo...
(kátia surreal: 12/9/2026)


6

a caricatura da caridade

doa-se o que não faz falta
doa-se por uma graça
doa-se em toda parte
a quem tem fome
e padece com desastres
a doação pelo sistema
é mero descarte
ouviu bem
sobrevivemos no esquema
cuja lógica é o descarte
escrevo minha arte
e daqui a pouco sei
será afogada
na linha descartável do tempo.
(kátia surreal: 14/9/2026)

5

recorro aos ancestrais

quando meu pai me conta sobre suas ascendências indígenas
indago à natureza qual minha tribo
ela então me diz que minha raiz é o encontro silencioso
das folhas caducas na floresta e uma pantera negra no escuro
na força do xamã curandeiro
muito sábio e poderoso feiticeiro

quando meu pai me conta sobre suas ascendências europeias
portuguesa francesa e espanhola 
sinto-me acolhida em sua companhia
e os causos assombrosos do dia a dia
as bruxas vindas de outrora à alma da família
sei também que posso criar refúgios no astral
quando estou sonhando em minha cama
e sou protegida com a linha das mãos em pentagrama

quando meu pai me conta sobre suas ascendências africanas
infelizmente desconhece qual país ou tribo 
dele e de minha mãe que é negra e já falecida
mas só eu sei a relação que este povo tem com minha vida
fisionomia cabelo e sobretudo  a cor e também a dor
sem nem pedir justiça na injustiça do mundo vem xangô
assim consigo dar mais um passo à conscientização
jogar capoeira erguer zumbi
não necessariamente no sentido literal
mas de resgatar memórias recorrer à história
de nossa gente real do nosso povo ancestral

quando meu pai me conta sobre macumba 
candomblé orixás axé aruanda e umbanda
permito-me a entrega a vertigem
aceito e agradeço as entidades de origem
sinto acima de tudo que nasci do amor
da comunhão das forças que me guiam
e me permitem acima de tudo
seguir adiante com entusiasmado sorriso
e uma boa dose de alegria.
(kátia surreal: 12/9/2026)








7

a roger waters

ei olá
agora há alguém aqui
sinto muito
eu estava confortavelmente entorpecida
vagando por entre neblinas
que construí em minha vida

todo amor que senti ou vivi
ainda importa
mas neste momento
há outro que transborda

há um amor que vem através de ondas
dum navio distante
um grito de guerra
uma voz vibrante

eu queria só amar como quem ama
em uma bolha
mas há outras pessoas
toda vida humana é sagrada
e sei que não terei condições de amar
enquanto não formos todos livres

ei olá
agora há alguém por aqui
eu estava confortavelmente entorpecida
e numa ocasião introspectiva
a sua canção eu vivi

roger hoje eu sei
a palestina quer ser livre
e sei que nunca terei condições de amar
como quem ama em uma ilha
se não me unir a esta trilha
de universalmente lutar.

palestine wants to be free!
(Kátia surreal:13/9/2026)

8

ser e ir

ante a semelhança anômala
sinto que sou quando me vou
experiencio sentimentos e sintomas

ser e ir ou ir e ser
muito além de uma questão de sequência
ou formalidade
se sou posso ir
e se vou corro o risco certo de ser
mas ainda estou aqui
não sei quem sou
não posso ir
e se eu for
quem serei?
(kátia surreal: 13/9/2026)


6

luz ao final do corredor

do fundo escuro vem vindo
uma luz estranha não cotidiana
ela se aproxima lentamente
um enigma na profundidade do dia
parece que seu negro e longo cabelo
esconde mais ainda o rosto
ela continua vindo
enquanto nos mantemos estagnados
horrorizados com o cenário
súbito seu rosto se desvenda
uma jovem menina
com a lanterna do celular
ela não vem para nos pegar
apenas uma aluna iluminando
o vão trevoso de um CIEP
em que os cabos de energia
foram todos furtados.
(kátia surreal: 14/9/2026)

4

seremos livres!

esta guerra não é conflito bilateral
a usurpação segue desde 1920
como parte do processo colonial

sempre que você se autoilude
fingindo que nunca se atinge
o massacre potencializa e aperta
encurralando o povo amiúde

a larga distância geográfica
não anula ninguém desta jogada
se você é humano não passe o pano
não feche os olhos pra alheia desgraça

dê sua palavra estenda a mão
seja altruísta e também camarada
aos palestinos sendo dizimados
passando horrores na faixa de gaza

diante de um mundo de braços atados
tomemos partido focando o inimigo
isto não é bem uma agitação
talvez um aviso de...
do quanto é preciso superar
de uma vez por toda
este tal e velho capitalismo!
(kátia surreal: 12/11/2026)

6

Comentários (2)

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Se tiveres um tempinho me visite ... com tuas reflexões sobre meu pequenos e humildes textos. obrigado. ademir o poeta.

Olá ...amiga ... se assim posso dizer... li todos 08 textos e posso lhes dizer que são muitos concretos - realistas - parabéns - este é o meu modo de entende-los. ademir o poeta.