Kátia Surreal

Kátia Surreal

escrevendo obscuridades da alma e do mundo.

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quem vai pelo bosque

busca-se 
quem se deixa 
vai-se pelas folhas
perde-se quando
é chegada a hora
a noite tem o tempo que quiser 
os dias são escuros
tudo que brilha
escapa-se por frestas
o bosque é perdição
devaneios por entre trilhas
mas sua intuição insiste
quem vai pelo bosque
busca-se
em estado triste
depara-se com uma fonte
o instante anuncia o retorno
o rio transborda 
a trilha é desfeita
tudo começa de novo
(kátia surreal: 22/9/2026)

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Poemas

67

a cor do poema

quando o pneu do ônibus estoura
a porta da van escapa no ar
desperto de chofre
ainda me lembro dos preto e branco em xadrez
certos homens estampados
mulheres sóbrias
eu estava lá
isso não foi num único dia
só não te contei antes
assim invento as relações
algum sentido ou semelhança
a cor do instante é azul
em noites pretas
condenso fatos
uma questão de gosto.
(Kátia Surreal)


20

amar é

uma desobediência 
a tudo que foi consagrado
pode até ser tudo

o que já se tenha feito ou pensado
e só para contrariar o que agora afirmei

amar é um espírito sem lei

amar não é bem estar isolado
mas por que amar conforme as regras
ter alguém ao seu lado

amar de modo universal é muito pouco
cada um fica com uma migalha
amar a si é uma mentira descarada

da contemporaneidade

já disseram que amor é ar fogo e água
só concordo pela inconstância
amor em terra é tão parado 

prefiro o disparate

amar é coisa que não sei
mas acontece ou então se persegue

amar é o que for preciso no tempo do agora
e continua se tecendo por aí sem conclusões

amar não precisa de definições
amar é parnasiano
pinta-se o vaso sob medida
na frieza da perfeição em mármore

amar não tem verdades
é satânico
com aroma de sândalo
amar é uma sandice
porque nem sequer existe

amar é uma maré
amar é...
(em construção)
(kátia surreal: 13/9/2026)

40

meu inimigo

pisa sorrateiro pela minha sombra
com a sola desgastada em cacos de vidros
qual andarilho por milênios até me encontrar

meu inimigo
caminha comigo
compartilha vinho e degustamos vidro
rangidos com o ódio construído no tempo

meu inimigo é-me tão unido que merece um livro
um crivo um risco o ritmo violento
pensamentos arranhados
na vitrola e na rota
de uma canção que nunca termina.

meu inimigo
é a sina
(Kátia Surreal)

19

neste plano material de ostentação...

amar um incubus
é o mais infinito
das virtudes...
(Kátia Surreal)

33

faz de conta

que sendo um tipo de homem 
daria em cima de sua melhor amiga
e terrivelmente teria a sua presença
faz de conta
que sendo uma criança dos anos 2010
daria minha boneca a outra 
sem nem piscar
não por altruísmo
mas por incapacidade de adorar um objeto
faz de conta
que sendo o tirano da vez
realmente só ameaçaria apertar o botão da rosa
não por medo
pois é mais sádico ver o mundo se deteriorando aos poucos
faz de conta
que sendo uma pantera negra
enxergaria o invisível do inferno humano
sem craquelar qualquer folha
nem tampouco rejeitar a sombra da própria verdade
e o que nos guarda...
faz de conta que sendo hétero terei status
pagos, como se sabe, com migalhas de amor
faz de conta que sempre sei tudo o que escrevo
apesar de ser mentira
faz de conta que aprendi tudo
apesar de amanhã a verdade se tecer de outro jeito
faz de conta...
(Kátia Surreal)

21

a fera da noite

enquanto degusto o vinho
almejo as cartas
cobiço o perfume
não te telefono
travo vontades
pulando corda
o quadro não tem uma parede
mas tem uma abstração amarela que não esqueço
o mais vulgar é sempre o maior desejo
o nino trouxe um quente que venta frio
tapeia-me o almíscar na face
a fera já lá me vem
no tempo
desperto

qual a única verdade?

27

gostos

não gosto da menstruação
só da intuição
mente lua ação
(Kátia Surreal)

26

Comentários (2)

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Se tiveres um tempinho me visite ... com tuas reflexões sobre meu pequenos e humildes textos. obrigado. ademir o poeta.

Olá ...amiga ... se assim posso dizer... li todos 08 textos e posso lhes dizer que são muitos concretos - realistas - parabéns - este é o meu modo de entende-los. ademir o poeta.