Kátia Surreal

Kátia Surreal

escrevendo obscuridades da alma e do mundo.

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CAPS LOCK

APERTEI O BOTÃO 
A LUZ VERMELHA CONTÍNUA 
OLHE BEM PARA O QUE DIGO
POR FAVOR FIQUE AQUI
COMIGO

ESTOU NO CAPS LOUCA
É A MINHA PRIMEIRA VEZ
FOI-SE MINHA SENSATEZ
FOICE

O MODO AUTOMÁTICO 
ATROPELOU TODA LÓGICA 

VIVO DA VIDA O MÁGICO
REPUDIO A HIPOCRISIA DA ORDEM
E A LINEARIDADE DO MEU ESTADO.
(kátia surreal: 22/9/2026)

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Poemas

40

CAPS LOCK

APERTEI O BOTÃO 
A LUZ VERMELHA CONTÍNUA 
OLHE BEM PARA O QUE DIGO
POR FAVOR FIQUE AQUI
COMIGO

ESTOU NO CAPS LOUCA
É A MINHA PRIMEIRA VEZ
FOI-SE MINHA SENSATEZ
FOICE

O MODO AUTOMÁTICO 
ATROPELOU TODA LÓGICA 

VIVO DA VIDA O MÁGICO
REPUDIO A HIPOCRISIA DA ORDEM
E A LINEARIDADE DO MEU ESTADO.
(kátia surreal: 22/9/2026)

3

rompendo com a realidade

para romper com a realidade
primeiro a tesoura
um papel desenhado
a borda
e alguma lembrança vaga

na piscina do clube eu nadava
rosto na água 
assim ordenava a professora
mas eu não conseguia
Eu me travava
tenho o pulmão traiçoeiro
desde menina
segurava a borda no desespero
até que ela se rompeu
nadei nadei nadei
não morri na areia da praia
mas me afoguei e até agora
estou transbordando

para romper a realidade
é um tanto diferente
precisamos de um plano
muita coragem
gentes boas e inteligentes 

romper com a realidade 
tornou-se atitude banal
não se usa tesoura
no lugar disso
a foice e o martelo.
(kátia surreal: 22/9/2026)





3

quem vai pelo bosque

busca-se 
quem se deixa 
vai-se pelas folhas
perde-se quando
é chegada a hora
a noite tem o tempo que quiser 
os dias são escuros
tudo que brilha
escapa-se por frestas
o bosque é perdição
devaneios por entre trilhas
mas sua intuição insiste
quem vai pelo bosque
busca-se
em estado triste
depara-se com uma fonte
o instante anuncia o retorno
o rio transborda 
a trilha é desfeita
tudo começa de novo
(kátia surreal: 22/9/2026)

7

quando a poesia termina

há uma chantagem despercebida
quando a poesia termina
fica a linguagem do dia a dia
essa que sem roupas ou camuflagens
fura como cristais pontiagudos
fria e sem sangue qual matéria bruta

estou cansada quase desmaiada
mas continuarei escrevendo
aquecendo os dedos
e alguma parte de mim que não sei
nem me atrevo chamar de coração

quando a poesia acabar
a noite irá com ela
sobrando-me apenas 
a manhã de sol ausente

eu ainda persisto em juntar palavras
criar sentidos quando tudo já foi rompido
não há vazios só imensidão
e a tentativa em vão
de continuar quando se é preciso parar
e recomeçar mais uma vez
na nova margem
da folha da vida.
(kátia surreal: 12/9/2026)

16

meu diário de sonhos

nenhuma anotação será descartada no tempo
eu juro conjuro transmuto
minha filha descobrirá minha presença
em qualquer época
há de se fortalecer a egrégora
esta é a nossa lei
infinitas possibilidades
abra-se o portal
co'a pena da piaya cayana
e a força magna do pentagrama!
(Kátia surreal: 16/9/2026)


15

uma palavra aos palestinos

mormente a cada criança
a que come areia no lugar de pão
a que assistiu entre escombros
ao amigo o pai a mãe o irmão
a que nem sequer viu ou que perdeu
parte do corpo e do rosto
ou mesmo se perdeu

a uma que se rasteja pela faixa
com o irmão pequeno
sustentado no dorso
escapando de mais emboscadas

uma palavra aos palestinos
aos que foram enterrados vivos!
e sobretudo ao menino
cujos olhos abertos pro mundo
espelha uma psique de susto
e um magno custo
por antepassados camponeses
sem títulos de terra ou nobreza
mas que já viviam por lá
com toda a certeza

uma palavra aos palestinos
não só às crianças
e sim a esse povo que todo dia
desatina ante aos desafios
ora sobrevivem perante tanto perigo

uma palavra aos palestinos
e só agora é que começo a dizer
desculpe não tenho nem palavras
mas saibam que estou com vocês!
(Kátia surreal: 12/9/2026)


 



22

sem pele

acordei nua
sem saber coisa alguma
a janela fechada e o escuro
o corpo pingando poro a poro
aos poucos e aos sustos
vou me inteirando
diante do espelho

vejo
um ser estranho
este é meu avesso
como me aceitar assim
contrariamente carmesim
isso já acontecia
ante situações frias
ou demasiado quentes

tudo o que me disser
o pico do grau da tez será ativado
ora corro perigo
nem mais fico a sós comigo
desejo sua companhia
quero sua distância

tenho medo
que toquem meu avesso
verdade estou em desespero
depressiva
no cume da carne viva
nada mais será sólido

sou a cortina vermelha
cerrando-se antes do último ato
sou um fim que se prolonga
na exatidão de um quarto
e a derradeira dose de mim
é um vinho tinto seco
(kátia surreal: 14/9/2026)


19

repentino corpo

dias de olhos secos
noites de lágrimas involuntárias
de quem tanto escreve mas nunca acaba
nenhuma vontade de chorar
só terminar de uma vez co' esta tortura
pensamentos são como pernas na sessão de spinning
tenho que dizer
apenas mais cinco meses e nenhuma vontade
vou acabar com tudo agora!
mas o ritmo é lento
ninguém sabe o que estou vivendo
ainda que tantos no mesmo barco
cada qual se afunda ou se salva à sua maneira
preciso findar logo o corpo
que a cabeça já se foi há muito 
minha desordem não quer obedecer a critérios estabelecidos
só que eu preciso lhe dizer tudo isso
eu preciso que você entenda!
meu tempo não se alinha ao sistema
mas tenho certeza que a atemporalidade tem tal força
que destrói todas as regras
só porque tenho que lhe dizer 
é que ora me sinto e sento aqui
com a solidão de sempre  e o vinho
às vezes a gata vem
porém só eu posso lhe dizer...
tenho que acabar com isto tudo
e mostrar ao mundo
que meu louco ritmo de ideias
até que tem razão.
bem, eu dizia sobre o corpo da minha tese
preciso concluí-la
não posso mais ficar aqui
caso não ria
até a próxima e obrigada mesmo assim.
(Kátia Surreal)




34

o caldeirão da prática

antes de tudo
pulei o muro
de todas as leis
fui às escuras
pela solitária rua

agora estou em casa
com a minha caça
enquanto fervem-se
a água e o ódio

a vela é preta
há sete dias no sódio
certos ingredientes
os primeiros a serem postos

já bateu meia-noite
o ar corto co'a foice
abre-se a porteira
não é brincadeira
ninguém volta atrás
logo invoco satanás

pela fenda da janela
vejo o céu a lua
a estrela e as trevas
o universo abrindo-se
e eis que de repente
vejo o sol da noite
e se remexendo aflito
meu principal ingrediente

cada pedacinho picotado
ponho com gosto no caldeirão
sinto o tambor vibrando com o ato
no negrume do meu coração

quem sou onde estou 
para onde vou
é com ele!
já não me sinto perdida
degusto a taça de vinho
começa a outra vida
a única lei

e que o poema seja sempre poesia 
livre especialmente libertina
poetas são portais
(kátia surreal: 16/9/2026)






12

uivo do tempo

um latido ecoa-se ao longe
um uivo atravessa o monte
eu sei aliás sinto
o desejo de retorno ao útero 
estar com a mãe
a terra
estar comigo 
estamos na frequência de um ciclo
de seguirmos em direção
ao instinto
a árvore daqui não é apenas uma paisagem
é a porta que o sonho abre
para a primitiva viagem
(kátia surreal: 18/9/2026) 

11

Comentários (2)

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Se tiveres um tempinho me visite ... com tuas reflexões sobre meu pequenos e humildes textos. obrigado. ademir o poeta.

Olá ...amiga ... se assim posso dizer... li todos 08 textos e posso lhes dizer que são muitos concretos - realistas - parabéns - este é o meu modo de entende-los. ademir o poeta.