quando a poesia termina

há uma chantagem despercebida
quando a poesia termina
fica a linguagem do dia a dia
essa que sem roupas ou camuflagens
fura como cristais pontiagudos
fria e sem sangue qual matéria bruta

estou cansada quase desmaiada
mas continuarei escrevendo
aquecendo os dedos
e alguma parte de mim que não sei
nem me atrevo chamar de coração

quando a poesia acabar
a noite irá com ela
sobrando-me apenas 
a manhã de sol ausente

eu ainda persisto em juntar palavras
criar sentidos quando tudo já foi rompido
não há vazios só imensidão
e a tentativa em vão
de continuar quando se é preciso parar
e recomeçar mais uma vez
na nova margem
da folha da vida.
(kátia surreal: 12/9/2026)

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