sem pele
acordei nua
sem saber coisa alguma
a janela fechada e o escuro
o corpo pingando poro a poro
aos poucos e aos sustos
vou me inteirando
diante do espelho
vejo
um ser estranho
este é meu avesso
como me aceitar assim
contrariamente carmesim
isso já acontecia
ante situações frias
ou demasiado quentes
tudo o que me disser
o pico do grau da tez será ativado
ora corro perigo
nem mais fico a sós comigo
desejo sua companhia
quero sua distância
tenho medo
que toquem meu avesso
verdade estou em desespero
depressiva
no cume da carne viva
nada mais será sólido
sou a cortina vermelha
cerrando-se antes do último ato
sou um fim que se prolonga
na exatidão de um quarto
e a derradeira dose de mim
é um vinho tinto seco.
(kátia surreal: 14/9/2026)
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