o caldeirão da prática
antes de tudo
pulei o muro
de todas as leis
fui às escuras
pela solitária rua
agora estou em casa
com a minha caça
enquanto fervem-se
a água e o ódio
a vela é preta
há sete dias no sódio
certos ingredientes
os primeiros a serem postos
já bateu meia-noite
o ar corto co'a foice
abre-se a porteira
não é brincadeira
ninguém volta atrás
logo invoco satanás
pela fenda da janela
vejo o céu a lua
a estrela e as trevas
o universo abrindo-se
e eis que de repente
vejo o sol da noite
e se remexendo aflito
meu principal ingrediente
cada pedacinho picotado
ponho com gosto no caldeirão
sinto o tambor vibrando com o ato
no negrume do meu coração
quem sou onde estou
para onde vou
é com ele!
já não me sinto perdida
degusto a taça de vinho
começa a outra vida
a única lei
e que o poema seja sempre poesia
livre especialmente libertina
poetas são portais.
(kátia surreal: 16/9/2026)
Comentários (0)
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.