MÁSCARAS DO POETA FRAGMENTADO
Sob a lei da máscara,
da ambiguidade de todas as tuas máscaras imprecisas,
te escrevo. Viúvo de ti mesmo, detrás delas revelas-te
sem nunca te revelares. Mesmo quando detrás delas
te queres o outro de muitos outros,
e sem elas te desejas confundir com o herói homérico.
Invoco-te:
ó dividido, ó sem nome, ó viúvo de ti mesmo,
ó irrevelado de muitos nomes inventados.
Ó navegante perdido no sonho do mar indefinido
e profundo. Mar desconhecido onde sonhaste o sonho
persistente e breve ─ no poema erguer a Pátria.
Invoco o teu nome grande e tormentoso
no instante em que sendo, deixaste de ser.
Navegaste no teu navio sem quilha e sem bússola
de mareante. Navegaste como se nunca tivesses
deixado este cais sem cais ─ o cais da tua ausência
e solidão. Do tamanho do que sonhaste te fizeste
Nome Maior.
________
Alvaro Giesta
in Dois Ciclos para um Poema
(o ciclo 1, é a 1.ª parte da obra dedicada a Fernando Pessoa; o ciclo 2 é a 2.ª parte da obra dedicada a Herberto Helder)
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