Ode à Alegria
Levanta-te, alegria
e canta as primícias dos caminhos de sol
que te levam aos oásis de luz.
Corre como a gazela, o altar do penedio e enche o corpo das flores
com a seiva do teu olhar.
Dissolve-te nas cores,
perscruta o latejar dos aromas no íntimo abandono do teu corpo.
Veste-te de musgo
e derrama a tua sede de música nos gorjeios dos gaios.
Persegue a penumbra
dos voos velozes das águias no sonho das escarpas.
Deixa-te entrelaçar
com as folhas mornas dos fetos
e abandona-te no imperceptível vazio de outras sílabas
escondidas entre os salgueirais.
Procura a embriaguez do sol da tarde,
lê o respirar dos morcegos e os rumores dos insectos
no seu passeio crepuscular.
Sussurra, alegria, com o teu orvalho,
ao veludo perfumado da folhagem,
afaga os corpos transpirados de sonhos
na sua viagem.
Manuela Barroso
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