[carta a um caminhante sem nome e sem destino]
hoje escrevo-te esta carta numa hora de inquietude
e solidão. com uma caneta que deixa na tinta
bem vincada, a vontade expressa de acordar-te.
é tempo de firmares os pés no chão
e de voltares à casa — à casa de onde a revolta
te expulsou. a força das mágoas fustiga-te a memória.
a memória que te dilacera na intemporalidade
de um silêncio cobarde. que te rasga a carne e dilacera
os ossos. viagem atribulada que te roubou o canto
e feriu o sonho por cumprir. hão-de acordar-te
os mistérios da esperança que tens em chama no olhar.
deixa que um resíduo de força se insinue na tua vontade;
te leve nas asas do tempo, como quando um resíduo
de vento se insinua por entre os ramos da árvore e leva
com ele as folhas soltas e leves nas asas da liberdade.
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AG © "manuscrito" desta gaveta de sombras (caderno 2. da teoria do sonho e do silêncio)
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