um resto de sonho...
um resto do sonho...
reflecte-se a lua sobre os telhados
a frescura da noite roça-me o rosto,
vinda da folhagem do salgueiro,
ali do lado oposto.
trago os olhos fatigados,
mas hei-de subir a encosta,
com meu traje domingueiro,
solto ao vento fitas de cor
e o tempo deixa de correr
nos cabelos trago flor
nos lábios um riso florido,
e bordado a seda o lenço
com meu nome
e apelido.
e eu sem senso...
vou ter forças para tanto?
sonhos são borboletas tontas
à vida ando deitando contas,
gemeu-me o coração e eu fiquei
à espera...
e o tempo me falou...
tudo o que sonhas, passou,
e quem espera desespera.
minha esperança anda p'lo chão
silêncio em mim... e de verdade?
descubro que é a saudade
onde estou
e onde vou,
com ela abraço a vida,
causa-me estremecimento,
se apodera do pensamento,
é ferida,
que faz doer,
se cruza nos meus dias
num tempo sem saber,
que lágrimas, também são
feitas de alegrias.
luto contra a dureza
do tempo e dos traços sorrateiros
que em mim fez nascer
com clareza
e brevidade,
um pássaro os veio trazer
numa manhã de vento e saudade.
natalia nuno
reflecte-se a lua sobre os telhados
a frescura da noite roça-me o rosto,
vinda da folhagem do salgueiro,
ali do lado oposto.
trago os olhos fatigados,
mas hei-de subir a encosta,
com meu traje domingueiro,
solto ao vento fitas de cor
e o tempo deixa de correr
nos cabelos trago flor
nos lábios um riso florido,
e bordado a seda o lenço
com meu nome
e apelido.
e eu sem senso...
vou ter forças para tanto?
sonhos são borboletas tontas
à vida ando deitando contas,
gemeu-me o coração e eu fiquei
à espera...
e o tempo me falou...
tudo o que sonhas, passou,
e quem espera desespera.
minha esperança anda p'lo chão
silêncio em mim... e de verdade?
descubro que é a saudade
onde estou
e onde vou,
com ela abraço a vida,
causa-me estremecimento,
se apodera do pensamento,
é ferida,
que faz doer,
se cruza nos meus dias
num tempo sem saber,
que lágrimas, também são
feitas de alegrias.
luto contra a dureza
do tempo e dos traços sorrateiros
que em mim fez nascer
com clareza
e brevidade,
um pássaro os veio trazer
numa manhã de vento e saudade.
natalia nuno
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