Solidão
Começou como uma atmosfera sutil e delicada se esguiando pelas frestas da porta, por debaixo e aos lados entrava, bem devagar, como uma fumaça leve de incenso que sobe bailando no ar.
Não se importou.
Estava sempre ocupada, pra lá e pra cá, ora na sala, ora na cozinha fazendo algo para comer, absorvida com um livro, TV ou celular, jogada pela cama.
Aquela atmosfera parecia longe.
Não tinha forma, não tinha cheiro, não tinha sabor. Volta e meia um telefonema de alguém fazia soprar uma brisa naquela fumaça sutil, então esvaecia-se no ar.
Não percebeu.
Com o tempo aquela atmosfera antes leve e sutil acumulara-se pelos cantos, à sombra de móveis, atrás do sofá e por debaixo dele também.
Pouco a pouco o ar foi ficando pesado.
As distrações não distraíam mais.
A refeição passou a ser trabalhosa demais para ser feita e o intenso trânsito pela casa passou a restringir-se ao quarto.
Da cama então, olhou para a porta do quarto e como que uma sombra densa lhe observasse.
Queria entrar e conversar com ela.
Tentou resistir uma vez, duas vezes.
Três. Mas não quatro.
Deixou que a sombra entrasse e sentasse à cama.
Sua posição, de despojada estava mais contida, quase fetal.
Perguntou-lhe então seu nome, ao que a sombra respondeu:
“Solidão”.
Não se importou.
Estava sempre ocupada, pra lá e pra cá, ora na sala, ora na cozinha fazendo algo para comer, absorvida com um livro, TV ou celular, jogada pela cama.
Aquela atmosfera parecia longe.
Não tinha forma, não tinha cheiro, não tinha sabor. Volta e meia um telefonema de alguém fazia soprar uma brisa naquela fumaça sutil, então esvaecia-se no ar.
Não percebeu.
Com o tempo aquela atmosfera antes leve e sutil acumulara-se pelos cantos, à sombra de móveis, atrás do sofá e por debaixo dele também.
Pouco a pouco o ar foi ficando pesado.
As distrações não distraíam mais.
A refeição passou a ser trabalhosa demais para ser feita e o intenso trânsito pela casa passou a restringir-se ao quarto.
Da cama então, olhou para a porta do quarto e como que uma sombra densa lhe observasse.
Queria entrar e conversar com ela.
Tentou resistir uma vez, duas vezes.
Três. Mas não quatro.
Deixou que a sombra entrasse e sentasse à cama.
Sua posição, de despojada estava mais contida, quase fetal.
Perguntou-lhe então seu nome, ao que a sombra respondeu:
“Solidão”.
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