antonio_filho

antonio_filho

Versões de mim

Perfil
170 Visualizações

Solidão

Começou como uma atmosfera sutil e delicada se esguiando pelas frestas da porta, por debaixo e aos lados entrava, bem devagar, como uma fumaça leve de incenso que sobe bailando no ar.
Não se importou.
Estava sempre ocupada, pra lá e pra cá, ora na sala, ora na cozinha fazendo algo para comer, absorvida com um livro, TV ou celular, jogada pela cama.
Aquela atmosfera parecia longe.
Não tinha forma, não tinha cheiro, não tinha sabor. Volta e meia um telefonema de alguém fazia soprar uma brisa naquela fumaça sutil, então esvaecia-se no ar.
Não percebeu.
Com o tempo aquela atmosfera antes leve e sutil acumulara-se pelos cantos, à sombra de móveis, atrás do sofá e por debaixo dele também.
Pouco a pouco o ar foi ficando pesado.
As distrações não distraíam mais.
A refeição passou a ser trabalhosa demais para ser feita e o intenso trânsito pela casa passou a restringir-se ao quarto.
Da cama então, olhou para a porta do quarto e como que uma sombra densa lhe observasse.
Queria entrar e conversar com ela.
Tentou resistir uma vez, duas vezes.
Três. Mas não quatro.
Deixou que a sombra entrasse e sentasse à cama.
Sua posição, de despojada estava mais contida, quase fetal.
Perguntou-lhe então seu nome, ao que a sombra respondeu:
“Solidão”.
Ler poema completo

Poemas

2

Solidão

Começou como uma atmosfera sutil e delicada se esguiando pelas frestas da porta, por debaixo e aos lados entrava, bem devagar, como uma fumaça leve de incenso que sobe bailando no ar.
Não se importou.
Estava sempre ocupada, pra lá e pra cá, ora na sala, ora na cozinha fazendo algo para comer, absorvida com um livro, TV ou celular, jogada pela cama.
Aquela atmosfera parecia longe.
Não tinha forma, não tinha cheiro, não tinha sabor. Volta e meia um telefonema de alguém fazia soprar uma brisa naquela fumaça sutil, então esvaecia-se no ar.
Não percebeu.
Com o tempo aquela atmosfera antes leve e sutil acumulara-se pelos cantos, à sombra de móveis, atrás do sofá e por debaixo dele também.
Pouco a pouco o ar foi ficando pesado.
As distrações não distraíam mais.
A refeição passou a ser trabalhosa demais para ser feita e o intenso trânsito pela casa passou a restringir-se ao quarto.
Da cama então, olhou para a porta do quarto e como que uma sombra densa lhe observasse.
Queria entrar e conversar com ela.
Tentou resistir uma vez, duas vezes.
Três. Mas não quatro.
Deixou que a sombra entrasse e sentasse à cama.
Sua posição, de despojada estava mais contida, quase fetal.
Perguntou-lhe então seu nome, ao que a sombra respondeu:
“Solidão”.
77

EU SOU

Sou o que sou
Sou muitos, sou tantos...
Sou um pouco de todos que me antecederam

Tantos que nem sei quem são
Mas estarei naqueles que virão.
Será?

Sou eu mesmo, sem saber-me quem sou
Sou quem? Não sei.
Apenas vivo o que sou: livre
67

Comentários (0)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.