Ao pôr do sol a vida é tão sofrida
escrevo quando parece
que tudo
o enorme nada
vai ruir, desmoronar
e me fragmentar em pedacinhos
granulados de mim
passeando pela praça
entre meia dúzia
de árvores da família Fabaceae
reflito
ao pôr do sol
a vida é tão sofrida
tão saturada
mas também tão sexy
num sábado que tudo abala
até quando você insiste
em ser inabalável
quando te atingem
com tapas, tomates e tiros
você diz
"está tudo bem aqui"
você se distrai
assiste, lê, ouve
emudece o barulho
que transcende
a própria fisiologia
o som não se propaga
no vácuo desse espaço
o ambiente amarelo
vestígio do dia quente
faz querer viver
e me lembra que não tenho vida
só existo enquanto escrevo
palavras vazias
e sem sentido
dançam, se conectam
e criam narrativas
fictícias e reais
se enlaçam entre os meu dedos
formando uma sopa de letrinhas
onde se lê "eu-lírico"
engulo tudo
que tudo
o enorme nada
vai ruir, desmoronar
e me fragmentar em pedacinhos
granulados de mim
passeando pela praça
entre meia dúzia
de árvores da família Fabaceae
reflito
ao pôr do sol
a vida é tão sofrida
tão saturada
mas também tão sexy
num sábado que tudo abala
até quando você insiste
em ser inabalável
quando te atingem
com tapas, tomates e tiros
você diz
"está tudo bem aqui"
você se distrai
assiste, lê, ouve
emudece o barulho
que transcende
a própria fisiologia
o som não se propaga
no vácuo desse espaço
o ambiente amarelo
vestígio do dia quente
faz querer viver
e me lembra que não tenho vida
só existo enquanto escrevo
palavras vazias
e sem sentido
dançam, se conectam
e criam narrativas
fictícias e reais
se enlaçam entre os meu dedos
formando uma sopa de letrinhas
onde se lê "eu-lírico"
engulo tudo
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