As cinzas que restam de mim
Sopro as velas do aniversário sozinho,
apago os cigarros e desfaço as cinzas,
que ainda aquecem a minha sala vazia,
limpo pegadas,
que deixaste dispersas pela casa,
deixo que ardam
as entranhas pouco a pouco,
bem cá no fundo, fico sangrando,
como um animal ferido,
sem dono e sem lugar pra ficar,
sinto-me a morrer devagar,
este meu pobre coração quer sangrar a alma de vez,
dói tanto, tanto é uma dor sem limites,
e eu fico aqui a gritar pelo Senhor dos Aflitos...
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