MONISMO
Assento, num instante, sobre a poltrona acolchoada, o corpo.
O desconforto dos meus ombros diz mais sobre mim do que tudo o que proclamo,
ainda assim, proclamo.
Fumo, não para acalmar a mente, mas para ocupar as mãos.
Não preciso me acalmar, mas preciso muito ocupar as mãos inquietas,
sedentas por te acariciar os seios como quem redige versos,
sem passado nem futuro, nem nexo ou seriedade.
Minhas mãos, digo... meu corpo todo, quer o instante,
quer findar no instante o absoluto sentido de ser, e nada mais.
Por isso, devoro meus alimentos saudáveis como quem alimenta a alma,
crendo, ainda que forçosamente, no poder supremo da alimentação saudável.
Bebo vinho como quem verdadeiramente saúda a Dionísio, ainda que Dionísio não haja.
Inspiro o ar puro ante o rio, crendo também estar limpando meus pulmões.
Ora, engana-se quem pensa não haver razão no ato de crer descrendo.
Não, não estou iludindo a mim mesmo ou fugindo do peso dos dias reais.
Estou, na verdade, fazendo de mim mesmo o mundo todo,
e o mundo todo de pretenso poeta de versos tão subjetivos,
que nem mesmo o eu-lírico é capaz de compreender,
senão de dizê-los.
Por fim,
entre a maçã e a meditação há tanta semelhança,
que quase faço dos monges do monte, por mim desconhecidos,
uma bela e doce salada de frutas.
O desconforto dos meus ombros diz mais sobre mim do que tudo o que proclamo,
ainda assim, proclamo.
Fumo, não para acalmar a mente, mas para ocupar as mãos.
Não preciso me acalmar, mas preciso muito ocupar as mãos inquietas,
sedentas por te acariciar os seios como quem redige versos,
sem passado nem futuro, nem nexo ou seriedade.
Minhas mãos, digo... meu corpo todo, quer o instante,
quer findar no instante o absoluto sentido de ser, e nada mais.
Por isso, devoro meus alimentos saudáveis como quem alimenta a alma,
crendo, ainda que forçosamente, no poder supremo da alimentação saudável.
Bebo vinho como quem verdadeiramente saúda a Dionísio, ainda que Dionísio não haja.
Inspiro o ar puro ante o rio, crendo também estar limpando meus pulmões.
Ora, engana-se quem pensa não haver razão no ato de crer descrendo.
Não, não estou iludindo a mim mesmo ou fugindo do peso dos dias reais.
Estou, na verdade, fazendo de mim mesmo o mundo todo,
e o mundo todo de pretenso poeta de versos tão subjetivos,
que nem mesmo o eu-lírico é capaz de compreender,
senão de dizê-los.
Por fim,
entre a maçã e a meditação há tanta semelhança,
que quase faço dos monges do monte, por mim desconhecidos,
uma bela e doce salada de frutas.
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