Somos flores
Se me tirarem o segundo
É o fim.
Aquela casa velha e esburacada
É a memória amargurada da moleirinha
Que já não cresce entre o musgo;
É o resto de tudo e o vestígio do nada,
Lembrando apenas o suspiro da velhice;
É a nostalgia do cheiro a relva, a fruta,
A canja e talvez a bolo da padeira;
É a reminiscência enevoada do que foi
Família, ou nunca foi;
É o beijo carinhoso dos pais dos meus pais,
Canção de embalar que ecoa da sepultura;
É o desmembramento da realidade de um dia,
Da qual sobra pouco;
É a evidência do nada perante o desabar do mundo,
É a finitude, o breve trilho que percorremos,
O sorriso que é mortiço e passageiro;
É o funeral da terrinha, o enterro do bailarico,
A miséria da filha e da neta, do cão também;
É a última página do livro. Desconcerta...
Nem sabemos como o fechar e abandonar na prateleira,
Às teias.
É a flor que murcha, queixando-se do sol, da chuva, da terra:
De tudo o que a fez florir.
Damos flores e recebemos flores.
Vivos ou mortos, somos flores.
Da terra nascem, na terra caem.
No mundo entram, do mundo saem.
É o fim.
Aquela casa velha e esburacada
É a memória amargurada da moleirinha
Que já não cresce entre o musgo;
É o resto de tudo e o vestígio do nada,
Lembrando apenas o suspiro da velhice;
É a nostalgia do cheiro a relva, a fruta,
A canja e talvez a bolo da padeira;
É a reminiscência enevoada do que foi
Família, ou nunca foi;
É o beijo carinhoso dos pais dos meus pais,
Canção de embalar que ecoa da sepultura;
É o desmembramento da realidade de um dia,
Da qual sobra pouco;
É a evidência do nada perante o desabar do mundo,
É a finitude, o breve trilho que percorremos,
O sorriso que é mortiço e passageiro;
É o funeral da terrinha, o enterro do bailarico,
A miséria da filha e da neta, do cão também;
É a última página do livro. Desconcerta...
Nem sabemos como o fechar e abandonar na prateleira,
Às teias.
É a flor que murcha, queixando-se do sol, da chuva, da terra:
De tudo o que a fez florir.
Damos flores e recebemos flores.
Vivos ou mortos, somos flores.
Da terra nascem, na terra caem.
No mundo entram, do mundo saem.
Comentários (1)
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2026-03-30
Muito lindo texto poético - Camila Duarte - no sfim somos todos flores... queiramos ou não ... da terra fomos criados e nelas somos enterrado e renasemos como todas as belezas deste terra por deus criado. Shalom.
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