NADA POSSO FAZER QUANTO AO TEMPO QUE ME ARRASTA
Nada posso fazer quanto ao tempo que me arrasta
Nada posso prever do amanhã
Ainda assim agradeço o que me basta
Estar vivo e saudável tal qual uma maçã
Não queria sofrer o que me desgasta
Mas os dias são maus sem um talismã
A graça é o que me livra e disfarça
E livre sigo vivendo meu afã
Não posso fugir da solidão que me estilhaça
Na esperança de encontrar minha alma irmã
Em minha boca o beijo é uma mordaça
E sem trapaça minha ansiedade é campeã
Por sonhar romper o silêncio nesta carcaça
Onde o arcabouço vive preso a um divã.
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