Sem nada …

Sem nada …
O amor não tem campainha
Quando passa, é um comboio
Sem maquinista nem freio,
Despedaça-nos, destroça-nos,
Ferra-nos a meio sem avisar,
É fatal o golpe e profundo,
Mais terrível que da morte
A dor, não é religião nem
Crença, contraditório à sorte
Amar é o ter, como companhia
Da orelha esquerda a cara
Do meio, metade olhando-se
Metade se consente, a minha face
Girando sobre ela própria,
Estender um braço, ligar-me
Aos gestos d’ontem (o soar da sineta)
Atirar o tédio pra debaixo
Da mesa, dar duas palmadas
Na vida, sentir prazer íntimo
Ao ouvir disparates e a ironia
Que é ter fome, estando farto,
Ter entusiasmo desmedido,
Tendo de facto emoção por
Companhia e uma campainha
No ouvido, um comboio no
Coração, a esperança na parte
Do rosto que era só minha,
Sol posto solidão a meias,
A sineta da estação, o comboio
A dar a partida, não sei se uma,
Duas vezes ou os dois de abalada,
Um de cada vez, s/companhia,
Sem nada …
Jorge Santos (24 Fevereiro 2021)
https://namastibet.wordpress.com
http://namastibetpoems.blogspot.com
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
delírio encapsulado
presa estou pela manhã a recolher as lágrimas livre sou à noite ao te recolher em minha cápsula quando me transbordar, a tez partida será…
Kátia Surreal
Dissonantes, se confundem - 09/09/2026
Será que a alegria é irmã da tristeza
Dissonantes, separadas se confundem,
A alegria é a exultação do bem estar
…
Armando A. C. Garcia
Muros de pedra ! - 24/07/2026
Eu tinha o mundo perdido
Na palma de minha mão,
Livre e solto, sacudido
Sem dinheiro, sem tostão.
…
Armando A. C. Garcia
A força inexplicável ! - (soneto) - 25/07/2026
A força inexplicável, chamada sorte,
Como não é constante no indivíduo,
Por não ser ela um predicado assíduo
N…
Armando A. C. Garcia