Retorno ao Rio Alcântara
Retorno ao Rio Alcântara
No fundo do meu quintal corre um rio
Que desliza escorreito com voz de sibila
Onde vejo passar o destino circular dos homens
O tempo longo, médio e curto de Braudel
As eras geológicas, as flores do cambriano
Grandes do tamanho de minha casa
Os ciclos menstruais da vizinha feia,
Suas explosões de paz ou os silêncios de sua
fúria
No fundo de meu coração corre um rio
A passos lentos, vejo passarem formas
Frágeis, Heráclitos sorumbáticos
E revelações inconclusas sobre as quais
Tento o salto transcendental - mas não
Consigo sair de mim, deslogar
Pois não possuo o Tempo que tudo
Revela e (de)compõe: outrossim,
Sou do Tempo uma posse, um Heráclito
(Vejo passar os livros que Borges
Não escreveu, livros que gosto de imaginar
Quando quedo triste olhando o rio
E que de toda forma jazem escritos
Em algum lugar de Deus)
No fundo da íris de Deus corre um rio
Intransponível, de sufocante caudal
Do qual este poema, as flores cambrianas
Extintas do tamanho de casas e os homens
Algemados à sua liberdade circular
De probabilidades previstas e os livros
Que Borges iria escrever mas morreu e
Que jazem escritos em algum outro lugar de Deus
(pois dentro de Deus as coisas transitam,
Irrequietas ricocheteiam livres do Tempo circular)
E o Universo holográfico platônico celebrante e
Pânico são espelhos,
Reles espelhos deslizantes.
Do livro Cartas e Retornos (2021).
Para adquirir, escreva para o autor: [email protected]
No fundo do meu quintal corre um rio
Que desliza escorreito com voz de sibila
Onde vejo passar o destino circular dos homens
O tempo longo, médio e curto de Braudel
As eras geológicas, as flores do cambriano
Grandes do tamanho de minha casa
Os ciclos menstruais da vizinha feia,
Suas explosões de paz ou os silêncios de sua
fúria
No fundo de meu coração corre um rio
A passos lentos, vejo passarem formas
Frágeis, Heráclitos sorumbáticos
E revelações inconclusas sobre as quais
Tento o salto transcendental - mas não
Consigo sair de mim, deslogar
Pois não possuo o Tempo que tudo
Revela e (de)compõe: outrossim,
Sou do Tempo uma posse, um Heráclito
(Vejo passar os livros que Borges
Não escreveu, livros que gosto de imaginar
Quando quedo triste olhando o rio
E que de toda forma jazem escritos
Em algum lugar de Deus)
No fundo da íris de Deus corre um rio
Intransponível, de sufocante caudal
Do qual este poema, as flores cambrianas
Extintas do tamanho de casas e os homens
Algemados à sua liberdade circular
De probabilidades previstas e os livros
Que Borges iria escrever mas morreu e
Que jazem escritos em algum outro lugar de Deus
(pois dentro de Deus as coisas transitam,
Irrequietas ricocheteiam livres do Tempo circular)
E o Universo holográfico platônico celebrante e
Pânico são espelhos,
Reles espelhos deslizantes.
Do livro Cartas e Retornos (2021).
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