(In) Constância
Escorreu pelas mãos a maciez da tez, mas permaneceu o toque que extasiou todos os sentidos. O sussurro tilinta, vibra, urge no arrepio eloqüente. O vinho cruento, encorpado, preenche, completa. O tempo! Que passa, disfarça, refaz. Vira-se! O avesso, o fel, o desgosto, o vinagre, derrama n'alma o ardor cravado largado pelo deleite intenso, longínquo. Sublime! O momento, a boca, a língua, o ar no ar. O mundo, submundo, cru, nu. O gozo que invade, inflama, queima, sossega a ânsia derradeira. A mão instigando a pele percorre o caminho, labirinto de refúgios insensatos. A música sensual, a curva tênue que embala , o infinito se perde , reduz, reluz no brilho do olhar. Quebram! Cacos de teia, a saliva, inebria o mistério inseparável. Evapora-se! Perde-se! Acabou-se! Tudo ou nada, que inunda, desnuda a inocência perversa. A súbita saudade que lava a solitude e rouba o que se distanciou. O corpo que mente, rejeita, devora o gosto, o sabor do mel. Gota a gota dentro do mal que se esvai aos poucos. Ressuscita! A paixão desenfreada expluiu dentro do que já havia se desfeito. Forja! Engana! Destrói o amor que arruína. Protege! Embala, no amasso o desejo facundo, efêmero, não se dissolve. A mente que lembra, o pensamento que perturba, as imagens que se reconstroem, distorcidas. As mãos que desenlaçam, o cheiro que evapora, a vida que se desfaz. O inacabado recomeça. Os beijos! Travados, engasgados, perdidos no vão da lucidez. Tudo outra vez! Não há disfarce na ilusão. A realidade simulada, medíocre, hipócrita. A eternidade se enclausura na angústia leviana, insensata. De devaneios insanos, regidos por impulsos descontroláveis, se tecem os nós estagnados na memória.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
É rica...
Jorge E. Leal
É Rica e conhece a História, Mantém seus sonhos secretos. Da França, caminha na glória, Em busca, anseios concretos.…
Julian Lael
Marítima alusão da vida
no convés de mim singro minhas águas as que fluem do riso as que nadam as lágrimas quase todas resumidas nas correntezas que lavro atrav…
AurelioAquino
So sad he had to go
So sad he had to go
Yes he was suffering a lot
He was an alcoholic also
He used to drink like fish
Yes he was destroying his liver
A…
Aldo gabbay kraas
Um casal ( a terra e o humano )
Nossa criação humana sempre foi muito bela... desde a formação desta magnifica terra - nada foi criado contra o homem e a mulher... pelo …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*