EU NÃO SINTO, QUEM SENTE ÉS TU!
Quis-te única e ofegante
Uivando batidas estáticas
Do prazer que roubava-te a vida!
Quis-te singela e trêmula
Vomitando o líquido bebido a força!
Quis sentir os zum-zuns
Das dores de ti
E golpear o cupido levianamente.
Quis tocar os zumbidos frenéticos
Do suco fonético banhado no teu corpo!
Quis beber da melancolia
Que sucumbia-te o pensar!
Talvez assim entenderia o teu silêncio,
Sentiria os gritos metamórficos
Que entrelaçam-te a consciência.
Abominaria o ímpio homem que te castrou o sorriso
E como tu, choraria por dentro e viveria a morte de mim.
Afinal eu não sinto, quem sente és tu!
Ivânia Paquete
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