Itinerário lírico da cidade de Salvador
o semblante das casas
trai um certo desejo
de afogar mais o homem
no vão do seu próprio medo
não parecem imóveis
destarte a constatação
de que, em seu bojo, habita-se
a salvo da opressão
e mesmo aquelas que riem
um riso de cor e cal
carregam um pranto escondido
nas faces dos seus degraus
e se nas ruas arrumam-se
organizadas só mentem
pela desordem dos quartos
pela fome dos viventes
e quando estão barracos
mendigando a gravidade
mais a fome arquitetam
nos limites de seus quartos
e as que são trançadas
no melhor material
guardam resquícios do medo
na liquidez do seu mal
e em tudo são parentes
daqueles que lhes invadem
num futuro em que, por fim,
explodirá o combate
II
as ruas não se alinham
como os problemas dos homens
e parecem certas correntes
nos elos das muitas fomes
e desenham-se sorrisos
na cara dessa cidade
e escondem nos passos das gentes
uma nação entre grades
desde a 7 de setembro
de uma parca independência
às ruas mais meretrizes
ou mesmo as da inocência
Salvador não se sustenta
nestes caminhos gerais
que sugando muita fartura
da fome nutre-se a paz
e se meninas vestem-se
de roupagem mais pagã
guardam nos seios escondida
a timidez da manhã
e se urbanas se dizem
no seu urbano trajeto
não escondem o que de agrário
repousa em seus tetos
Salvador é só um encontro
das ilações do concreto
trai um certo desejo
de afogar mais o homem
no vão do seu próprio medo
não parecem imóveis
destarte a constatação
de que, em seu bojo, habita-se
a salvo da opressão
e mesmo aquelas que riem
um riso de cor e cal
carregam um pranto escondido
nas faces dos seus degraus
e se nas ruas arrumam-se
organizadas só mentem
pela desordem dos quartos
pela fome dos viventes
e quando estão barracos
mendigando a gravidade
mais a fome arquitetam
nos limites de seus quartos
e as que são trançadas
no melhor material
guardam resquícios do medo
na liquidez do seu mal
e em tudo são parentes
daqueles que lhes invadem
num futuro em que, por fim,
explodirá o combate
II
as ruas não se alinham
como os problemas dos homens
e parecem certas correntes
nos elos das muitas fomes
e desenham-se sorrisos
na cara dessa cidade
e escondem nos passos das gentes
uma nação entre grades
desde a 7 de setembro
de uma parca independência
às ruas mais meretrizes
ou mesmo as da inocência
Salvador não se sustenta
nestes caminhos gerais
que sugando muita fartura
da fome nutre-se a paz
e se meninas vestem-se
de roupagem mais pagã
guardam nos seios escondida
a timidez da manhã
e se urbanas se dizem
no seu urbano trajeto
não escondem o que de agrário
repousa em seus tetos
Salvador é só um encontro
das ilações do concreto
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