A Felicidade
Ela vem muitas vezes sem planejamento.
Outras vezes vem sem mesmo que eu a deseje.
Simplesmente aparece.
Não entendo seus motivos, seus gatilhos, seus mecanismos.
Fico a me perguntar,
será que tem vontade própria?
Confesso que de todas as vezes que tentei provocá-la,
ou que para ela me preparei
e a busquei em muitos lugares,
por caminhos diversos, muitos sonhos dispersos...
simplesmente me frustrei.
Será que a procurei no lugar certo?
Minhas escolhas, muitas escolas, muitos discursos...
se não são para alcançá-la,
são então sobre viver
enquanto ela não se faz presente.
Mas quando a sinto, ah quando a sinto...
minha alma se parece ao sol nascente.
Sua visita não é longa,
sei que não é possível que ela esteja sempre comigo.
É livre. Não posso lha oferecer perene abrigo.
Saber que esta dama belíssima vive a me rodear,
mesmo que nem sempre se deixe contemplar,
seria essa, então, a graça da vida?
Mesmo em meio a tanto aborrecimento e desconfiança,
eu sei que ela está escondida no sorriso da criança,
no sol que ilumina o dia fazendo-o colorido como aquarela,
no perdão sincero de um amor fraterno que faz movimento de acolhida,
no abraço que alivia dor e conforta quem se desespera.
Enfim, no que há de mais simples na vida.
Mesmo que eu não a veja, onde quer que ela esteja,
em algum momento ela irá aparecer
e de novo me fará sorrir qual primavera que faz tudo florir
Neste jogo em que ora aparece, ora me esquece,
quando eu menos esperar,
ela me lembrará que, apesar de tudo, SOU FELIZ!
Guilherme Henrique Lopes.
Brodowski, setembro de 2020.