Lista de Poemas
As nuvens
Parei, numa tarde de verão,
para contemplar o céu e as nuvens.
Vi as nuvens ao longe, longe como o meu pensamento
Formando desenhos, tomando as formas dos meus sentimentos
Refletiram nelas os meus mais profundos desejos.
Eu passaria horas ali, contemplando-as
Elas, distantes como os meus sonhos
Eram lindas, mas inalcançáveis. Ilusão.
Mas veio uma brisa que as desfez.
Sobraram algumas, informes, que se ajuntaram
Em uma só nuvem se transformaram
Uma nuvem violenta, barulhenta, escura...
E assim derramaram-se em chuva
As lágrimas do meu coração
Porque todos os meus sonhos foram desfeitos
por uma simples brisa numa tarde de verão.
Guilherme Henrique Lopes.
Taquaritinga, junho de 2021.
152
EXÍLIO DOS SINOS
Minha terra tem Igrejas
E seus sinos a soar
Os moradores que aqui vivem
Já não ouvem o tocar
Nossos prédios têm mais altura
Nossas casas têm mais muros
Nossa vida tem mais pressa
Nossas ruas mais barulhos
Ao calar da noite escura
Na matriz a observar
Minha terra tem Igrejas
E seus sinos a soar
Minhas terra tem sinos
Que tais nem ouvem mais
Queira Deus que um dia volte
E não deixe para trás
A beleza e a riqueza
Das badaladas que ali jaz.
Luis Gustavo Da Silva Joaquim e Guilherme Henrique Lopes
145
Mendigo (crônica)
Nem acreditei quando me deparei com aquela cena. Aquela situação constrangedora em minha frente deixou-me tão aterrorizado que fiquei estático, não consegui fazer outra coisa senão olhar fixo para aquele que estava diante de mim. Até me esqueci que estava parado numa calçada movimentada, cheia de pessoas apressadas de cabeças baixas a digitar mensagens ou a falar com alguém no telefone ou talvez somente fingindo estar apressadas para não ter que olhar e prestar atenção em quem está sentado às margens das sarjetas...
Aquele homem que eu vi diante de mim, só o pude ver quando ousei me desligar do celular e andar mais devagar pelo caminho que todos os dias eu fazia, mas por estar ocupado, sempre me foi invisível. Este homem estava vestindo elegantes trapos pretos italianos que muito lhe deve ter custado. Seus pés eram envolvidos por uma couraça de cor negra como o asfalto por onde tanto andava. Seu rosto revelava um passado de lutas, desafios, desilusões e um presente cheio de humilhações e de sujeição a situações desumanas. Em suas mãos ele trazia uma sacola da qual por nada se separava, pois nela havia tudo o que possuía em sua vida, e tudo, se resumia em nada. Seu olhar estava desprovido de qualquer tipo de esperança ou de paz. Estava sempre atento e desconfiado como um animal que se vê em constante estado de alerta para defender seu território e assegurar sua sobrevivência.
Meus olhos se encheram de água. Minha garganta deu um nó. Palavra alguma se atreveu a sair da boca. Perdi meu chão. Até o tempo pareceu parar naquele momento. Quando retornei a mim percebi que eu estava diante de uma vitrine. Ela me refletiu a mim mesmo e me fez refletir. Na verdade, aquele homem que eu estava vendo diante de mim era um homem digno de pena, que precisava imensamente de ajuda. Era um infeliz, vítima da sociedade. Um executivo bem sucedido. Tão miserável como qualquer outro mendigo. Tão digno de ajuda como qualquer outro ser humano. O homem que eu estava vendo era eu mesmo refletido na vitrine.
Guilherme Henrique Lopes.
157
Abismo
Hoje dei um passo maior que o mundo...
Caí num abismo muito mais profundo...
Mas, no fundo, foi bom.
Guilherme Henrique Lopes.
189
A Felicidade
Ela vem muitas vezes sem planejamento.
Outras vezes vem sem mesmo que eu a deseje.
Simplesmente aparece.
Não entendo seus motivos, seus gatilhos, seus mecanismos.
Fico a me perguntar,
será que tem vontade própria?
Confesso que de todas as vezes que tentei provocá-la,
ou que para ela me preparei
e a busquei em muitos lugares,
por caminhos diversos, muitos sonhos dispersos...
simplesmente me frustrei.
Será que a procurei no lugar certo?
Minhas escolhas, muitas escolas, muitos discursos...
se não são para alcançá-la,
são então sobre viver
enquanto ela não se faz presente.
Mas quando a sinto, ah quando a sinto...
minha alma se parece ao sol nascente.
Sua visita não é longa,
sei que não é possível que ela esteja sempre comigo.
É livre. Não posso lha oferecer perene abrigo.
Saber que esta dama belíssima vive a me rodear,
mesmo que nem sempre se deixe contemplar,
seria essa, então, a graça da vida?
Mesmo em meio a tanto aborrecimento e desconfiança,
eu sei que ela está escondida no sorriso da criança,
no sol que ilumina o dia fazendo-o colorido como aquarela,
no perdão sincero de um amor fraterno que faz movimento de acolhida,
no abraço que alivia dor e conforta quem se desespera.
Enfim, no que há de mais simples na vida.
Mesmo que eu não a veja, onde quer que ela esteja,
em algum momento ela irá aparecer
e de novo me fará sorrir qual primavera que faz tudo florir
Neste jogo em que ora aparece, ora me esquece,
quando eu menos esperar,
ela me lembrará que, apesar de tudo, SOU FELIZ!
Guilherme Henrique Lopes.
Brodowski, setembro de 2020.
160
Consciência de uma realidade negra
Eu poderia escrever versos tristes sobre meu povo
escrever não com tinta, mas com lágrimas negras do meu coração.
Eu poderia chorar sobre o papel e isto seria já seria o suficiente
para retratar uma história sofrida com sabor de fel,
de um povo oprimido que na alma e no corpo foi muito punido.
Escreverei versos de orgulho então.
As feridas do chicote nas costas, a cada investida,
clamavam respeito, clamavam justiça, mas clamavam em vão.
O silêncio da noite era rompido pela dor do negro em gritos
que, por ter preto nascido, era severamente punido.
Aquele flagelo da história rasgou tão profundo,
Machucou não só as costas do negro escravo naquele momento,
mas rasgou o próprio tempo. Ferida aberta que persiste até hoje.
Os gritos de dor que irromperam na noite,
irromperam nos séculos, chegam aos nossos ouvidos.
Ecoam nas mídias, nas ruas, nas músicas, nas lágrimas silenciosas,
no clamor por um pouco de ar: “NÃO CONSIGO RESPIRAR!”
Um flagelo que todos os dias permanece açoitando,
para pra descansar uma só vez por ano,
para depois, de peito cheio, poder dizer,
que está cumprindo a lei, cumprindo os direitos do “humano”.
Por isso gritai, povo meu, gritai!
Gritai não para fazer barulho.
Gritai nosso imenso orgulho de ser quem somos.
Gritai, gritai de orgulho!
Gritai, gritai não mais apenas de dor.
Gritai por nossos antepassados,
pois hoje pode ser que o mundo nos ouça.
Dar-nos-emos as mãos e gritaremos,
pois juntos nosso grito tem mais força.
Guilherme Henrique Lopes.
escrever não com tinta, mas com lágrimas negras do meu coração.
Eu poderia chorar sobre o papel e isto seria já seria o suficiente
para retratar uma história sofrida com sabor de fel,
de um povo oprimido que na alma e no corpo foi muito punido.
Escreverei versos de orgulho então.
As feridas do chicote nas costas, a cada investida,
clamavam respeito, clamavam justiça, mas clamavam em vão.
O silêncio da noite era rompido pela dor do negro em gritos
que, por ter preto nascido, era severamente punido.
Aquele flagelo da história rasgou tão profundo,
Machucou não só as costas do negro escravo naquele momento,
mas rasgou o próprio tempo. Ferida aberta que persiste até hoje.
Os gritos de dor que irromperam na noite,
irromperam nos séculos, chegam aos nossos ouvidos.
Ecoam nas mídias, nas ruas, nas músicas, nas lágrimas silenciosas,
no clamor por um pouco de ar: “NÃO CONSIGO RESPIRAR!”
Um flagelo que todos os dias permanece açoitando,
para pra descansar uma só vez por ano,
para depois, de peito cheio, poder dizer,
que está cumprindo a lei, cumprindo os direitos do “humano”.
Por isso gritai, povo meu, gritai!
Gritai não para fazer barulho.
Gritai nosso imenso orgulho de ser quem somos.
Gritai, gritai de orgulho!
Gritai, gritai não mais apenas de dor.
Gritai por nossos antepassados,
pois hoje pode ser que o mundo nos ouça.
Dar-nos-emos as mãos e gritaremos,
pois juntos nosso grito tem mais força.
Guilherme Henrique Lopes.
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