Espelho
Vislumbras nos meus olhos
A indiferença e o desprezo
Que me inquietam.
Neste quarto fechado reflectes,
A imagem de um estado sombrio esquecido.
Diante de ti está alguém igual a mim,
Com o rosto tapado pelas mãos
Escondendo a vergonha despida pelo tempo,
De um ser que ama a noite e odeia o dia.
Neste corpo prostrado no chão do firmamento,
Flui dentro dele um coração convalescente
Do abismo do presente. E sucumbindo à solidão
Do momento, cai jazendo no fogo que lhe corrói
As entranhas do pensamento.
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