Wolf

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n. 1980 PT PT

n. 1980-09-01, Coja

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Espelho


Vislumbras nos meus olhos
 A indiferença e o desprezo
Que me inquietam.
Neste quarto fechado reflectes,
A imagem de um estado sombrio esquecido.
Diante de ti está alguém igual a mim,
Com o rosto tapado pelas mãos
Escondendo a vergonha despida pelo tempo,
De um ser que ama a noite e odeia o dia.
Neste corpo prostrado no chão do firmamento,
Flui dentro dele um coração convalescente
Do abismo do presente. E sucumbindo à solidão
Do momento, cai jazendo no fogo que lhe corrói
As entranhas do pensamento.
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Poemas

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Espelho


Vislumbras nos meus olhos
 A indiferença e o desprezo
Que me inquietam.
Neste quarto fechado reflectes,
A imagem de um estado sombrio esquecido.
Diante de ti está alguém igual a mim,
Com o rosto tapado pelas mãos
Escondendo a vergonha despida pelo tempo,
De um ser que ama a noite e odeia o dia.
Neste corpo prostrado no chão do firmamento,
Flui dentro dele um coração convalescente
Do abismo do presente. E sucumbindo à solidão
Do momento, cai jazendo no fogo que lhe corrói
As entranhas do pensamento.
578

Saudade



Creio que existes
Mas não te vejo.
Outrora estiveste aqui,
Agora existo só.
Deixo cair uma lágrima
Do sentimento ferido,
Onde nubla o ateado sofrimento
De não te ver.
E o coração bate no profundo vazio
Do nada.
535

O Grito que não Ouves

O grito que não ouves
Do sentimento perdido
Abafado pelo relógio,
Esconde nas mãos
Um rosto nu.
Na tristeza acalentada
Deixas-te enfeitiçar pelo encanto
Dos anos fugidios,
Pelos mórbidos dias inquietos,
Pelas horas íntimas da espera.
Fincas-te no sobrado
Gasto pelos dias de vida perdida.
Das vidraças,
Pressentes o anunciar da noite
E com ela um sopro de ti.
Deixas-te ficar.
Adormeces com a solidão
Das coisas quietas do momento,
E respiras a angústia
De mais um dia que virá.
 
503

SolidãoII

Vou por aqui,
Caminhar pela minha putrefacção,
Sem pressa que me leve.
Estou de partida,
Deitado na minha cama,
Proferindo as últimas palavras,
Gesticulando os últimos movimentos,
Fazendo o último sorriso,
Dando os últimos suspiros,
Com o estúpido mundo à minha volta,
Fecho os olhos….
471

Solidão

Neste espaço que me consome,
Onde existo só,
Sonho que não sou eu,
Que não pertenço a lugar algum….

Sou alguém
Que não pertenço a ninguém!….

Não sei onde estou,
Perdi meus pensamentos,
Meus horizontes,
A luz do meu viver….

Olho para o céu,
Não há luz que me ilumine,
Que me guie no meu ser….

Há dentro de mim Um ser frágil,
Que sofre com o tempo,
Receia que lhe toquem!…

Está ferido,
Não consigo sarar esta ferida,
Que não pára de sangrar,
Que se agonia, de tanto estar aqui,
Em subtil sofrimento….

Não aguento,
Não suporto mais este insuportável estar….
Estou farto,
Cansado de estar aqui,
Desta sombra que me assombra!….

Onde tudo é monotonia silenciosa
Que aos poucos me envolve,
Nesta minha melancólica existência….
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