A lembrança
O dia é nublado e a mente é pesada
Pelos anos sendo nada
Sendo ninguém
E sendo tudo
A pessoa que gostaria de ser
As coisas que gostaria de viver
Quanto mais pensava em quem não era
Afogava na mais profunda escuridão quem era de verdade
E foi muitas
Foi várias versões de quem não era
Apreciou as mais belas fantasias
Fingiu que amou
Fingiu que sentiu
Pra não sentir
Mas mesmo assim, a escuridão a encontrava
Guiava seu corpo
Controlava sua mente
Dançava
Com aquilo que chamam de alma
A abraçava durante a noite
E a fazia mergulhar em pesadelos
Lugares escuros onde ela estava sozinha
Com medo
Com dor
De tentar viver sobre uma pele que não era sua
Que nunca foi
Queimava e ardia
Até que acordasse
Mais um dia
Mais uma mentira
No vazio
Na solidão que gritava
Nas profundezas de sua nuvem negra
Úmida
Que chamam de alma
Ajoelhada estava si mesma
Menina
Sozinha
Com frio
E com medo
Medo de se levantar
E ser notada
Ser quem é, ser quem foi
Ela tímida
Menina
Se levanta e caminha
Estende a mão e chora
Pede pela ajuda que nunca teve
Que sempre existiram em minhas fantasias
E eu a abraço
A protejo
De mim
Que por muito tempo a afoguei com minhas próprias mãos
A sufoquei
E fiz com que se calasse
Que deixasse-me ser
O que imaginei
O que me manteve viva
Mas custou a vida dela
E quando ela finalmente veio
Doeu e queimou cada pedaço de mim
Me tomou em chamas
Me tornei cinzas
Das lembranças de uma vida que só existiu
Em minhas mais claras fantasias
Então eu a abracei firme
Segurei sua pele gelada
Pálida e machucada
E a tirei desse canto vazio
Que chamo de alma
Quando me olhei no espelho, já não era eu
Era ela
Realizando tudo o que sempre quis
Existir
Ser de carne
Sentir o calor
Mesmo queimando
Sentir o ar em seus pulmões
E o ar gelado batendo em seu rosto
Quente
Molhado
E livre.
Pelos anos sendo nada
Sendo ninguém
E sendo tudo
A pessoa que gostaria de ser
As coisas que gostaria de viver
Quanto mais pensava em quem não era
Afogava na mais profunda escuridão quem era de verdade
E foi muitas
Foi várias versões de quem não era
Apreciou as mais belas fantasias
Fingiu que amou
Fingiu que sentiu
Pra não sentir
Mas mesmo assim, a escuridão a encontrava
Guiava seu corpo
Controlava sua mente
Dançava
Com aquilo que chamam de alma
A abraçava durante a noite
E a fazia mergulhar em pesadelos
Lugares escuros onde ela estava sozinha
Com medo
Com dor
De tentar viver sobre uma pele que não era sua
Que nunca foi
Queimava e ardia
Até que acordasse
Mais um dia
Mais uma mentira
No vazio
Na solidão que gritava
Nas profundezas de sua nuvem negra
Úmida
Que chamam de alma
Ajoelhada estava si mesma
Menina
Sozinha
Com frio
E com medo
Medo de se levantar
E ser notada
Ser quem é, ser quem foi
Ela tímida
Menina
Se levanta e caminha
Estende a mão e chora
Pede pela ajuda que nunca teve
Que sempre existiram em minhas fantasias
E eu a abraço
A protejo
De mim
Que por muito tempo a afoguei com minhas próprias mãos
A sufoquei
E fiz com que se calasse
Que deixasse-me ser
O que imaginei
O que me manteve viva
Mas custou a vida dela
E quando ela finalmente veio
Doeu e queimou cada pedaço de mim
Me tomou em chamas
Me tornei cinzas
Das lembranças de uma vida que só existiu
Em minhas mais claras fantasias
Então eu a abracei firme
Segurei sua pele gelada
Pálida e machucada
E a tirei desse canto vazio
Que chamo de alma
Quando me olhei no espelho, já não era eu
Era ela
Realizando tudo o que sempre quis
Existir
Ser de carne
Sentir o calor
Mesmo queimando
Sentir o ar em seus pulmões
E o ar gelado batendo em seu rosto
Quente
Molhado
E livre.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
A clareza da palavra escrita num mundo de ruído digital
A clareza da palavra escrita num mundo de ruído digital
Entre a velocidade dos algoritmos, a arquitetura da informação e a responsabi…
Slobodan Marković
Chimichurri
Chimichurri é muito parecido
com o meu amor no prato.
Na parrillada ou churrasco,
não me esqueço do que é bom da Argentina,
e…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
A chuva
Andei pela chuva e tive um choque.
Naquele momento, lembrei do seu toque. Enquanto eu caminhava, lembrava das nossas mãos …
Sibelly Siquerdss
Humilde imaginação.
Os sentimentos da alma e juntam com o amor... se veneras alguém , é porque tens um bem querer , admiração , e algo além de nossa humilde …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*