NAS RUAS ONDE HÁ PEDRAS DE TROPEÇO
Nas ruas onde há pedras de tropeço, nos becos, nas vielas, nem sei mais meu endereço. Das janelas os orifícios, nas janelas sem liberdades muitos escravizados cuidam de seus ofícios. Marginalizados e viciados alimentam cada vez mais os seus vícios, fugindo das janelas e seus orifícios, mentindo sobre seus endereços, vendendo as suas almas a quaisquer preços vão se mutilando, se matando, não pelo pão, mas pelo prazer sombrio que os arrastam pelo chão. Nas janelas olhos bem espertos, nas vielas e das vielas o gosto de sangue despertos aos olhos que tudo veem, mas nada creem. Não testificam nada, vivendo numa guerra cruzada. Nem sei se mereço, pois posso gritar, invocar a justiça, mas como muitos, a preferência pelo silêncio se tornou em cobiça. Das janelas sem endereços, tantos olhos, tantos medos, quanta desconfiança, em um dia ou outro são assombrados pela matança daqueles que ainda nem viveram, eram crianças. Desnudas das esperanças das janelas virtuais, corrompidas pelo mal, sem a estrutura dos pais. Nas ruas, nas vielas, e becos, onde há barreiras intransponíveis, escravizados, marginalizados, e viciados, não importam seus níveis, serão insetos de certo modo inquietos se debatendo contra as luzes, a morrerem felizes ou infelizes carregando suas cruzes.
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