Uma vez existiu um demônio, pobre dele, estava assustado. Vivia no inferno, era quente e aconchegante, não havia por que sair de lá. Pelo pecado da curiosidade, observou o mundo, era tão lindo e vivo. As cores o atraíram para a vivência e a experiência, tudo perfeito, como deve ser. Quanto mais existia, mais tomava gosto, parecia que ele tinha achado uma paixão por viver, esse foi o último erro que ele veio a cometer.

Uma vez existiu um demônio, que agora vivia. Ele aproveitou o quanto pôde, tinha plena ciência de que nada disso duraria para sempre, essa era sua maior desculpa para o exagero. “Por que não um gole a mais”? Com o tempo, o perfeito enferrujou. Simplesmente, “não é mais tudo isso”. A cor foi escorrendo junto à sua vontade, o mundo foi ficando cinza e a cor vermelha lhe pareceu confortável de novo.

Uma vez existiu um demônio, ele não tinha mais emoções, não precisava mais delas.  Ele percebeu tarde, na medida com que ele consumia do mundo, o mundo o consumia. Seus olhos pareciam diferentes, não lembrava muito bem como eram as cores, agora eles viam o vazio e o insignificante. Por sorte, já estava novamente no inferno mas, para o seu azar, ainda muito longe de casa.
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