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Ícaro

Um dia houve um alpinista, seu sonho era chegar ao pico mais alto possível. Mesmo sem experiência alguma, ele mantinha sua confiança. Seu sonho não era nada mais do que uma vontade teimosa que ele sentia por viver, isso acendia uma chama maior que a própria razão. Por nunca ter dado ouvidos a ninguém, acreditava que era capaz de tudo, se tivesse força de vontade o bastante. Esse foi o último erro que ele veio a cometer.

Assim que ele se sentiu pronto, pegou seu equipamento amador e se jogou em seus sonhos, sem medos ou incertezas. Sozinho então, começou a subir o quanto pôde. Cego para a beleza da jornada, mantinha seu foco no fim, afinal, era esse seu sonho. Talvez esse seja o seu jeito de não se sentir insignificante, de deixar claro sua vontade de viver. Não, as pessoas são egoístas, esse era só o seu jeito de encontrar um sentido em uma vida vazia.

Quem diria? Quando se deu conta, lá estava, ele chegou no topo! Nem ligava mais para as noites viradas, para a solidão constante, já estava acostumado a tudo isso. O importante é que ele conquistou o objetivo da sua vida, né? A subida foi rápida, mas a descida foi ainda mais. Foi assim, se encontrando aos montes em meio à neve que agora já não era mais branca, que ele descobriu o motivo de ter vivido. O motivo foi o mesmo da sua morte, o medo escondido em um único sonho desesperado e infantil. Um único sonho assassino.
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Poemas

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Ícaro

Um dia houve um alpinista, seu sonho era chegar ao pico mais alto possível. Mesmo sem experiência alguma, ele mantinha sua confiança. Seu sonho não era nada mais do que uma vontade teimosa que ele sentia por viver, isso acendia uma chama maior que a própria razão. Por nunca ter dado ouvidos a ninguém, acreditava que era capaz de tudo, se tivesse força de vontade o bastante. Esse foi o último erro que ele veio a cometer.

Assim que ele se sentiu pronto, pegou seu equipamento amador e se jogou em seus sonhos, sem medos ou incertezas. Sozinho então, começou a subir o quanto pôde. Cego para a beleza da jornada, mantinha seu foco no fim, afinal, era esse seu sonho. Talvez esse seja o seu jeito de não se sentir insignificante, de deixar claro sua vontade de viver. Não, as pessoas são egoístas, esse era só o seu jeito de encontrar um sentido em uma vida vazia.

Quem diria? Quando se deu conta, lá estava, ele chegou no topo! Nem ligava mais para as noites viradas, para a solidão constante, já estava acostumado a tudo isso. O importante é que ele conquistou o objetivo da sua vida, né? A subida foi rápida, mas a descida foi ainda mais. Foi assim, se encontrando aos montes em meio à neve que agora já não era mais branca, que ele descobriu o motivo de ter vivido. O motivo foi o mesmo da sua morte, o medo escondido em um único sonho desesperado e infantil. Um único sonho assassino.
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Lucy

Uma vez existiu um demônio, pobre dele, estava assustado. Vivia no inferno, era quente e aconchegante, não havia por que sair de lá. Pelo pecado da curiosidade, observou o mundo, era tão lindo e vivo. As cores o atraíram para a vivência e a experiência, tudo perfeito, como deve ser. Quanto mais existia, mais tomava gosto, parecia que ele tinha achado uma paixão por viver, esse foi o último erro que ele veio a cometer.

Uma vez existiu um demônio, que agora vivia. Ele aproveitou o quanto pôde, tinha plena ciência de que nada disso duraria para sempre, essa era sua maior desculpa para o exagero. “Por que não um gole a mais”? Com o tempo, o perfeito enferrujou. Simplesmente, “não é mais tudo isso”. A cor foi escorrendo junto à sua vontade, o mundo foi ficando cinza e a cor vermelha lhe pareceu confortável de novo.

Uma vez existiu um demônio, ele não tinha mais emoções, não precisava mais delas.  Ele percebeu tarde, na medida com que ele consumia do mundo, o mundo o consumia. Seus olhos pareciam diferentes, não lembrava muito bem como eram as cores, agora eles viam o vazio e o insignificante. Por sorte, já estava novamente no inferno mas, para o seu azar, ainda muito longe de casa.
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