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Era uma vez um cidadão que não gostava de política, por isso não votava.
Veio um político demagogo populista que não gostava dos cidadãos, vai daí, diz que as eleições custam muito dinheiro e que deviam acabar com elas.
Aquele cidadão que não gostava de politica, por isso não votava, achou muito bem, como outros como ele.
O tal político demagogo populista disse que a Democracia era um luxo dos ricos e que nós como somos pobres não podíamos mantê-la.
Assim, poderia baixar os impostos, não fossem aqueles esbanjadores democratas que o combatiam e atrasavam o país com perdas de tempo com discussões e diálogos.
Como o país tinha que avançar tinham de combater aqueles obstáculos e de formar mais polícias, sendo preciso dinheiro para isso.
O tal politico que não gostava dos cidadãos, colocou mais polícias nas ruas para protegerem os cidadãos de se cansarem a discutir política.
O tal politico que não gostava dos cidadãos e que achava que só polícias não chegavam, pegou nos desempregados e deu trabalho a todos para se encarregarem de ver se os cidadãos não andavam a perder tempo a discutir política.
Por cada cidadão que salvassem do pecado do diálogo recebiam uma comissão.
Um dia, o tal cidadão que não gostava de política estava a dizer a outro que os políticos eram todos iguais e que ele não gostava de política.
Um daqueles cidadãos encarregues de salvar as almas dos cidadãos pensantes, ao ouvir isto denunciou o cidadão à polícia e este foi preso. Porquê?
Se o cidadão não queria saber da política, logo, dos políticos, também não gostava do político demagogo populista… assim, esta ovelha tresmalhada tinha de ser reeducada.
Lição: o cidadão não queria saber da política, mas a política queria saber dele.
Penamacor, 14 de Julho de 2004
Luís Norberto Lourenço in 'Manifestos contra o medo: antologia de um intervenção cívica' (2011)
Publicado originalmente em http://cctertulias.blogs.sapo.pt (14/07/2004)
Era uma vez um cidadão que não gostava de política, por isso não votava.
Veio um político demagogo populista que não gostava dos cidadãos, vai daí, diz que as eleições custam muito dinheiro e que deviam acabar com elas.
Aquele cidadão que não gostava de politica, por isso não votava, achou muito bem, como outros como ele.
O tal político demagogo populista disse que a Democracia era um luxo dos ricos e que nós como somos pobres não podíamos mantê-la.
Assim, poderia baixar os impostos, não fossem aqueles esbanjadores democratas que o combatiam e atrasavam o país com perdas de tempo com discussões e diálogos.
Como o país tinha que avançar tinham de combater aqueles obstáculos e de formar mais polícias, sendo preciso dinheiro para isso.
O tal politico que não gostava dos cidadãos, colocou mais polícias nas ruas para protegerem os cidadãos de se cansarem a discutir política.
O tal politico que não gostava dos cidadãos e que achava que só polícias não chegavam, pegou nos desempregados e deu trabalho a todos para se encarregarem de ver se os cidadãos não andavam a perder tempo a discutir política.
Por cada cidadão que salvassem do pecado do diálogo recebiam uma comissão.
Um dia, o tal cidadão que não gostava de política estava a dizer a outro que os políticos eram todos iguais e que ele não gostava de política.
Um daqueles cidadãos encarregues de salvar as almas dos cidadãos pensantes, ao ouvir isto denunciou o cidadão à polícia e este foi preso. Porquê?
Se o cidadão não queria saber da política, logo, dos políticos, também não gostava do político demagogo populista… assim, esta ovelha tresmalhada tinha de ser reeducada.
Lição: o cidadão não queria saber da política, mas a política queria saber dele.
Penamacor, 14 de Julho de 2004
Luís Norberto Lourenço in 'Manifestos contra o medo: antologia de um intervenção cívica' (2011)
Publicado originalmente em http://cctertulias.blogs.sapo.pt (14/07/2004)
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