Lista de Poemas

Actualidade...

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Era uma vez um cidadão que não gostava de política, por isso não votava.
Veio um político demagogo populista que não gostava dos cidadãos, vai daí, diz que as eleições custam muito dinheiro e que deviam acabar com elas.
Aquele cidadão que não gostava de politica, por isso não votava, achou muito bem, como outros como ele.
O tal político demagogo populista disse que a Democracia era um luxo dos ricos e que nós como somos pobres não podíamos mantê-la.
Assim, poderia baixar os impostos, não fossem aqueles esbanjadores democratas que o combatiam e atrasavam o país com perdas de tempo com discussões e diálogos.
Como o país tinha que avançar tinham de combater aqueles obstáculos e de formar mais polícias, sendo preciso dinheiro para isso.
O tal politico que não gostava dos cidadãos, colocou mais polícias nas ruas para protegerem os cidadãos de se cansarem a discutir política.
O tal politico que não gostava dos cidadãos e que achava que só polícias não chegavam, pegou nos desempregados e deu trabalho a todos para se encarregarem de ver se os cidadãos não andavam a perder tempo a discutir política.
Por cada cidadão que salvassem do pecado do diálogo recebiam uma comissão.
Um dia, o tal cidadão que não gostava de política estava a dizer a outro que os políticos eram todos iguais e que ele não gostava de política.
Um daqueles cidadãos encarregues de salvar as almas dos cidadãos pensantes, ao ouvir isto denunciou o cidadão à polícia e este foi preso. Porquê?
Se o cidadão não queria saber da política, logo, dos políticos, também não gostava do político demagogo populista… assim, esta ovelha tresmalhada tinha de ser reeducada.

Lição: o cidadão não queria saber da política, mas a política queria saber dele.


Penamacor, 14 de Julho de 2004

Luís Norberto Lourenço in 'Manifestos contra o medo: antologia de um intervenção cívica' (2011)

Publicado originalmente em http://cctertulias.blogs.sapo.pt (14/07/2004)
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Ensayo chico acerca de los huevos… a la mexicana

Hay huevos y huevos…
Hay huevos pequeños o chicos, medianos y grandes…
Hay huevos de gallina, de pájaro, de avestruz, de cocodrilo, de serpiente… hasta huevos de Páscua, lo mismo es decir de chocolate y hay huevos de oro…
En Portugal los huevos son a docena o a media docena, pero nunca como en México… que son a kilo, a medio kilo…
En Portugal los huevos no se casan, ni se divorcian, tampoco son solteros… eso del estado civil del huevo no le importa a los huevos ni a quienes los comen.
Los huevos pueden ser "estrelados", cocidos, fritos, poche…
Ya se sabe que sin huevo no hay omelette.
Hay los populares huevos a caballo, los cuales no más los conocen los norteños en México… pero también los hay rancheros, motuleños, chimbos, a la chiapaneca o a la mexicana… y siempre van acompañados de tortillas… y claro que los hay revueltos (en Portugal "mexidos").
Una persona en México puede ser huevón, huevona o huevuda…
En México se pueden pasar las cosas por los huevos…
Se puede estar hasta los huevos…
Se puede cojer alguién por los huevos…
Se puede mandar huevos…

Érase una vez una historia de un huevo, que en Portugal, siempre es de color crema y en México casi siempre es de color blanco.

Lo que no puede pasar es quedarse uno sin… huevos.
Por ende, en Portugal tampoco hacemos nada a huevo…


Luís Norberto Lourenço
Guadalajara, México, Octubre, 2014
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Amor platónico

Amor platónico


Tenho um sonho...
Que tu um dia,
Possas dar o salto
Para a outra margem
Dos afectos,
Margem, em que
A amizade
Se torna amor
Margem dos afectos
Sentidos, que por ti
Sinto.

Ainda que não sintas
Sentidos sentimentos
Que sinto por ti
Tenho uma serena esperança
Que um dia
Navegues no amor
Que sinto por ti.

Eu, portador da serenidade tranquila
Aguardarei eternamente
– Promessas!!! –
Que um dia
Sintas o calor
Do sangue
Que em mim
Arde por ti.

Que um dia
Pouses os teus lábios
No meu amor por ti,
Cheio de carinho
Ávido de paixão.


Luís Norberto Lourenço
(28/3/2000 – Castelo Branco)

in http://fanzinetertuliando.blogspot.com/2005/03/poesia.html
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Portugueses?


Andamos em montanhas russas e também as comemos, as saladas, russas. Bebemos italianas, comemos francesinhas, belgas, alho francês e couve galega, saímos à francesa, fazemos tudo à grande e à francesa, queremos agradar a gregos e a troianos, também nos vemos gregos para chegar a algum lado, trabalhamos como mouros e como galegos, fazemos obras para inglês ver e negócios da China, de Espanha nem bom vento nem bom casamento, mas há golos de chilena. Como se não bastasse mexicanizamos a vida política e no México há tortas portuguesas. A pontualidade é britânica, o relógio e o canivetes são suiços, há quem seja como um judeu e quem tenha vida de cigano.
O jeitinho, esse, é brasileiro, já o desenrascanço é português! 

Luís Norberto Lourenço
México, 3 de Junho de 2021
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Poetas livres

Poetas livres
 
Poetas
Pelos tiranos
Perseguidos
Censurados
Torturados
Fuzilados
Presos
Deportados
Mortos
Silenciados.

Os tiranos
Ditadores
Torcionários
Têm medo dos poetas
Livres, não controlados,
Subversivos, livres
Como verdadeiros poetas.

Os poetas riem-se
Dos tiranos
Ditadores
Torcionários
Reaccionários,
Que pensam
Que podem
Cortar a raiz ao pensamento.

Palavras de poeta
Magma de LIBERDADE.
Óh, palavra subversiva,
Horror dos ditadores
Tiranos
Torcionários
Déspotas.

Assassinos do corpo dos poetas
Matam o corpo,
Não matam a mensagem,
Dita, escrita, cantada, falada.
Não matam a alma
Que não existe
Porque não existe
Alma não... Ponto final.

Mas... não matam a alma,
Porque a alma só morre
Quando o corpo quer.
Quantos corpos vivem sem alma?
Quantos corpos mortos com alma viva?

Ser poeta
É ser contra-poder,
Por isso o poder
Não gosta do poeta.

O poeta
Foge do poder
Para livre ser.
Longe do poder?
Mas livre.

O menor dos homens
É o poeta d’alma vendida
Porque trai a sua condição
De crítico do poder
De ser a voz dos oprimidos.

Poesia do poeta
Liberdade livre,
Não corrompida
Não prostituída.

A corte do poder
Não gosta dos poetas,
Inveja-os,
Porque para ser poder
Abdicou de ser livre.
Falta-lhe a coragem
Que jorra da pena do poeta
Livre.
A coragem
Está no braço que empunha
A bandeira da Liberdade
Livre do poeta.

Poeta de cravos
Vermelhos
Pena caneta
Lápis esferográfica
Pincel giz
Numa mão
Na outra mão
Erguidos.

Poeta livre
Portugal livre
Da P.I.D.E.
Caçadora d’ almas livres
E dos corpos com alma.

Poetas
Portadores
Da esperança
Que invade
Os corações
Do Povo
Oprimido.

Poetas
Portadores
Das utopias
Imaginadas
Realizadas
E por realizar.

O poeta sonha
O Homem faz.

Poetas
Portadores
Da Utopia
Que os Capitães de Abril
Realizaram.

Poetas
Portadores
De utopias
Que as ditaduras
Não podem tolerar.
Por isso, os poetas
Mandam matar.

Mandam calar o poeta,
Impedem o poeta de gritar
Forçam-no a sussurrar,
Impedem o poeta de sussurrar.

Mas não podem,
Querem
Mas não podem,
Impedi-lo de pensar,
De gritar falar sussurrar...
Pensando.

Mesmo o pior despotismo,
No reino da ignorância
No império do obscurantismo
Não consegue,
Ditador ou tirano,
Violar o último reduto da Liberdade,
A imaginação.

Um dia
O despotismo
Será as ruínas de uma cidade
Submersa pelo magma da Liberdade,
Expelido pelo vulcão da poesia
E a cidade do despotismo
Será cidade da Utopia,
Pela pena dos poetas livres,
Em Democracia.

Vivam os POETAS LIVRES.


Luís Norberto Lourenço, Castelo Branco, 15 a 22 de Março de 2000

http://fanzinetertuliando.blogspot.com/2005/03/poetas-livres.html
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Era uma vez uma revolução que perdeu o “r”

Era uma vez um país, onde Abril abriu as portas que muitos ainda hoje gostariam dever fechadas, nesse país à beira-mar plantado, aquele da ocidental praia lusitana, do pai tirano que caiu da cadeira… As cabeças pensantes da direita no Governo redescobriram a “ciência do corte”, risca-se uma letra e muda tudo! “Abril é Evolução”, diz a campanha publicitária do Governo PSD/PP. Eis que, para matar a Constituição da República Portuguesa e logo o 25 de Abril, é necessário tentar diminuir a importância da Revolução dos Cravos, fazendo esquecer a importância da ruptura, para que se pense que com o “25 de Abril” ou sem ele, estaríamos onde estamos hoje, em Democracia, com imperfeições como todas, mas em Democracia. Antes uma Democracia imperfeita do que uma perfeita Ditadura. Naquela manhã clara, não foi a Revolução que matou, foi a Reacção, pela mão da PIDE/DGS, quatro cidadãos desarmados e mais quarenta feridos… as últimas vítimas do EstadoNovo que caiu sem luta tão podre que estava. As bandarilhas de esperança afugentaram a fera e a coligação revisionista e passadista já era, nem os capitalistas, nem os fadistas, nem as batinas lhes valeram! Jovens capitães tendo ao seu lado a população e as espingardas a dispararem cravos correram com os vampiros para o Brasil e deram muito trabalho aos alfaiates que muita casaca viraram.

Por Luís Norberto Lourenço, Castelo Branco, Abril/2004

Publicado no “Notícias da Covilhã”, 22/04/2005 e blogue http://centro-de-estudos-socialistas.blogspot.com 14/04/2005 e publicado no livro "Manifestos contra o medo: antologia de uma intervenção cívica", Casa Comum das Tertúlias: Castelo Branco, 2011.
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Luís Norberto Fidalgo da Silva Trindade Lourenço, nasceu em Castelo Branco (Beira Baixa, Portugal), a 27 de Agosto de 1973. Licenciatura em História: ramo científico, Universidade Lusíada (1999); Pós-graduação em Educação e Organização de Bibliotecas Escolares, Instituto Politécnico da Guarda (2011); Formação Avançada em Memória Cultural "A Memória do Holocausto na Cultura Europeia", Universidade Católica Portuguesa, Lisboa (2012); Diplomado en Historia de Jalisco, Colegio de Jalisco, México (2016); Diplomado en Museología y Museografía, Universidad de Guadalajara, México (2013). Luís Norberto Lourenço fundou em 5 de Outubro de 2001 a Casa Comum das Tertúlias, Tertuliando - Fanzine da Casa Comum das Tertúlias e a casa editorial da Casa Comum das Tertúlias em 2005. Autor de "Manifestos contra o medo: antologia de uma intervenção cívica". Além de escritor, professor, editor, organizador de eventos culturais, colunista, conferencista é tradutor e dinamizador de clubes de conversação.