Minha maré

Lá vai a minha maré saturada de ondas alucinantes
Deslumbrada a manhã alimenta tantas luminescências
Apaziguantes e apetecivelmente extravagantes
A jusante a vida flutua a bordo de mil brisas dissonantes
Seus odores apascentam a orla das memórias constantes
Seu altar são todos os imarcescíveis silêncios sussurrantes
Na minha maré navegam preces ígneas felinas e rogantes
Em cada molécula de vida pairam fecundos desejos tão chocantes
Dão guarida a uma explosão de sorrisos absurdamente contagiantes
Frederico de Castro
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