Lavadeiras e cantadeiras
Hoje, ao ver umas fotos dum passeio á beira rio, de paisagens fantásticas, verdes inimagináveis, bem perto de nós, lá para o lado da Foz do rio Sousa, os moinhos adormecidos mas, não esquecidos, me fizeram lembrar algo que escrevi há tempos sobre este tema e que aqui os disponho para que todos os que queiram, os possam apreciar com o mesmo carinho com que os escrevi…recordando as mulheres do povo e dos lugares mais distantes da freguesia (Mó e Carvalhal) que se dispunham a lavar roupa para os grandes senhores da terra, a troco de muito poucos cobres, nas margens do rio Ferreira, que serpenteia a nossa freguesia e desagua no rio Sousa.
No rio
a água corre
moinhos velhos movendo
farinha nova
vida pobre
trabalho árduo
água correndo
Dois lugares
um só pensamento
vinte cestos
montes de roupa
dez lavadeiras
nem um lamento
mãos embalando
uma voz rouca
Moinho velho
triste e só
na mó
seu leito gemendo
água do rio
farinha em pó
nas casas
familias sofrendo
Tantas voltas
uma cantadeira
uma bacia
para tanta roupa
dez cestos
cinco lavadeiras
mãos chorando
a paga tão pouca
No rio
a água corre
moinhos velhos movendo
farinha nova
vida pobre
trabalho árduo
água correndo
Dois lugares
um só pensamento
vinte cestos
montes de roupa
dez lavadeiras
nem um lamento
mãos embalando
uma voz rouca
Moinho velho
triste e só
na mó
seu leito gemendo
água do rio
farinha em pó
nas casas
familias sofrendo
Tantas voltas
uma cantadeira
uma bacia
para tanta roupa
dez cestos
cinco lavadeiras
mãos chorando
a paga tão pouca
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