Doido
Aqui à noite leio e escrevo.
Quase são quatro da manhã
E estou no terraço a congelar.
Porquê? Porque quero.
Sou doido e tenho o direito a ser.
Já ouvi e li esta frase tantas vezes...
Reclamo-a agora como minha,
Empresto-a por uns breves momentos
E devolvê-la-ei quando deixar de enlouquecer.
Tenho o direito de ouvir os galos,
Ouvir os carros longínquos
E de cheirar a noite, cheirar o meu quintal.
Estou doido, deveras doido.
Os meus dedos congelam.
Antes não tremia e já começo a tremer,
Mas é aqui que quero estar.
Três graus, misericórdia,
Mas é aqui que quero estar.
Não ali dentro, no conforto,
No radiador, na cama, nos lençóis.
Porquê? Estou doido, deveras doido
Mas é aqui que quero estar.
Quero enrijecer a alma, absorver a poesia
Como se fosse um líquido.
Um líquido que com o frio se torna mais denso,
Ou como a água que ao arrefecer
Alberga mais oxigénio e então a vida.
Quero que a minha alma se torne no Ártico da poesia.
Que albergue vida tão diversa e desconhecida
Que até se pergunte como pode sobreviver
No meio deste frio todo.
Ah, três graus nem é lá perto,
Mas estou de robe e sem luvas.
É como se estivesse no Ártico.
Estou doido, deveras doido,
Mas é doido que quero ser.
Quase são quatro da manhã
E estou no terraço a congelar.
Porquê? Porque quero.
Sou doido e tenho o direito a ser.
Já ouvi e li esta frase tantas vezes...
Reclamo-a agora como minha,
Empresto-a por uns breves momentos
E devolvê-la-ei quando deixar de enlouquecer.
Tenho o direito de ouvir os galos,
Ouvir os carros longínquos
E de cheirar a noite, cheirar o meu quintal.
Estou doido, deveras doido.
Os meus dedos congelam.
Antes não tremia e já começo a tremer,
Mas é aqui que quero estar.
Três graus, misericórdia,
Mas é aqui que quero estar.
Não ali dentro, no conforto,
No radiador, na cama, nos lençóis.
Porquê? Estou doido, deveras doido
Mas é aqui que quero estar.
Quero enrijecer a alma, absorver a poesia
Como se fosse um líquido.
Um líquido que com o frio se torna mais denso,
Ou como a água que ao arrefecer
Alberga mais oxigénio e então a vida.
Quero que a minha alma se torne no Ártico da poesia.
Que albergue vida tão diversa e desconhecida
Que até se pergunte como pode sobreviver
No meio deste frio todo.
Ah, três graus nem é lá perto,
Mas estou de robe e sem luvas.
É como se estivesse no Ártico.
Estou doido, deveras doido,
Mas é doido que quero ser.
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