jacintovski89

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Fénix Triunfal

Pensavam que estava morto?
A alma de um poeta não morre com a loucura.
Deixei de estar louco? Não.
Não estou morto então.
Renasci. Ou melhor... Sempre vivi
Ohohohoho. Hihihihi
Passou muito tempo desde a última vez que escrevi. 


O meu plano de engenheiro está desatualizado.
Gaita! Merda! Já meteram o Homem no espaço.
Já descobriram tantos planetas mais,
Estrelas, planetas anões, 
(Plutão já não é um planeta) 
Buracos negros! Einstein tinha razão! 
Até fotografaram um! 
Quarks e positrões!


Agora, em vez de meninas de 8 anos,
A ordenhar mancebos nas escadas
São meninas de 14 ou 12.
Que belo! Que belo o progresso!
Talvez daqui a mais cem anos teremos meninas de 18 ou de 16.


Supersónico! Caramba! Barreira do som?
ZOOOOOOOOOOOOOOOOOM!
Nem sabia que isto sequer existia!
As máquinas estão diferentes.
Já não é o ranger estridente e louco de antigamente. 
(Antigamente que era o mais moderno que poderia haver na minha mente).
Agora é tudo mais calmo, pausado, preciso, mas louco ainda noutras coisas irremediavelmente iguais. 


Tenho saudade da loucura das máquinas trovadorescas! 
Tenho saudade do CLLLLLLAAAANG, Piiiiiii, xu-xu-xu
Agora é tudo ziiiii, zoot, xiiii.
Já não há lá quase homens também.
Também não era difícil de prever,
As máquinas dominam o mundo agora
Os aviões parecem dardos. 


Telemóvel? Porra, andar nas mãos com um telefone e poder escrever poemas nele!
Na mão! No bolso! A roçar a masculinidade! 
Internet? Tudo ao contacto!
Filmes, textos, imagens 
Ideias, inteligência, estupidez 
E a pornografia, caramba!
Torrentes e correntes dela!
Para todos os gostos e feitios!
Sem filtros! Já não é uma fotografia atrevida que sacia um homem!
Tem de ser um vídeo de ultra MEGA
qualidade. HD? High definition.
Ultra HD? 4K? 
EIA EIAAA EIAAAA
Que insanidade de pornografia!
Que insanidade de ideias desta nova modernidade! Que loucura! 
Pedirei que me invada outra vez? 
Estalarei o cérebro com isto.
É preciso que entre aos poucos.


Os comboios já não deitam fumo. 
São eléctricos, uns a diésel ainda.
Os navios... Que magníficos navios de transporte!
Yachts topo-modelo
E cruzeiros que envergonham a linha inteira
Dos melhores da White Star! Há mais! 
Fragatas com radar e porta-aviões do tamanho de uma vila! 
Até nem pode deixar de haver um desastre naval!
Concordia, bom-porto no além te veja! 
(Não morreu nem uma fração das vítimas do Titanic.
Ouvi dizer que está na moda dramatizar tudo agora. Sempre esteve).

O rodopiar insano de um helicóptero 
Faz-me lembrar um velho tio que se engasgava sempre que ia para comer. 
Ó infância, já eras distante ao que sou... 
Como serás para mim agora? 
E fica parado no céu ! Também os aviões! 
Chamam-lhe de VTOL. 


O Estado Novo colapsou numa revolução 
O Azarado caiu da cadeira! 
As colónias declaram independência e
O Império Britânico caiu! 
Até pareço de outro mundo! 
A guerra para acabar todas as guerras travou outra pior por 20 anos. 
O bigodelhas sempre foi tentar conquistar a Europa.
Há democracia, mas queixam-se do mesmo 
E há os que querem a ditadura de volta! 
Que belo! Que louco! Que repetição nesta doce novidade insana! 
Que fenomenal será a terceira! 


Mal consigo acreditar no nuclear. 
Num som ensurdecedor pelo que parece, 
Num rebentar de luz,
Um mundo inteiro desaparece. 
Que bomba! Há milhares delas para acabar com o mundo mais de uma porrada de vezes! 
Que intransigente loucura do Homem!
Kaboom! Zoom! Pooom!
Nem dá para piscar os olhos! 
E que opções de escolha! 
Plutónio, urânio, hidrogénio. 
Tau! Uma bola de fogo! 
Há em bomba ou foguete. 
Míssil balístico intercontinental para ser mais exato. 
I-C-B-M
Vão sozinhos e aniquilam o que lhes vai à frente. 
Um míssil, uma cidade inteira senão mais! 
Até se sente mais que uma vez pelo planeta! 
O Inferno na Terra! Conseguimos! 
Conseguimos libertar Satanás! 


EIA, EIA eiaaaaaaa
Que banalidade de vida vejo nas pessoas em que o mundo vira e gira à sua volta 
Com isto! 
Como tudo muda e nada muda ao mesmo tempo! 
Há uma coisa que é redes sociais 
Onde há pessoas que querem ter estranhos 
A seguir tudo e mais alguma coisa do que fazem.
Nada de jeito!
Que inutilidade tão fascinante! 


As pessoas parecem sardinhas. 
Se não pareciam antes nas grandes cidades agora são mais. 
Marujos e capitães aproveitem esta pescaria toda! 
Comam-na que é vasta e burra! 
Burra como sempre foi! 
Burra como sempre teve de ser! 
Burra como sempre deverá de ser nem para mal nem para bem! Como sempre foi! 
Mais gente, épa-hoy! 


Anúncios por toda a parte! 
Carros, cremes, supermercados, mais telemóveis, computadores... 
Máquinas de escrever com telas. 
Até que lhes apanhei o jeito 
Jogos, vírus... Pornografia em tela grande 
(Só para não falar nas televisões) 


Ai, estou pronto! 
Expludam-me com uma bomba nuclear! 
NU-CLE-AR! 
Fundam o núcleo do meu ser com o núcleo da Terra
Com este poder doido que têm! 
Ainda não estão lá? 
Não com isto? 
Escavem mais fundo! 


NU-CLE-AR!
Clarifiquem a minha mente
Que me parece que está tudo burro.
Com tanta tecnologia e informação 
Mais burros ainda estão! 
O povo já não cava! 
Como poderá ser? 


Estou nú! Completamente nú!
(Não, não estou também a fazer pornografia)
Nú de ideias! Renasci e quero morrer! 
Só para renascer e voltar a morrer! 
Estou como vim à Terra! 
Outra vez e outra vez terá de ser! 
NU-CLE-AR!
Num relâmpago de luz branca e amarela 
Estou psicadélico com radiação! 
Ai, que insanidade! Que loucura de modernidade!! 
Que franca Europa unida e desunida
É claro que os ingleses tinham de sair! 
Perderam o Império, misericórdia! 


NU-CLE-AR
Estou sem fôlego com o que vejo
Gente que compra, compra e compra.
Esquece-se do que compra e de quem compra
E vai comprar outra vez! 
Tudo igual, mas ligeiramente diferente! 
(Só para dizer que não é igual) 
Já era assim, mas agora é com tudo o que se vende!


Outra pandemia!
(Porra, tenho de vir ao mundo e lidar com duas?) 
Uns querem saber, uns não. 
Uns morrem e outros não! 
Nada muda na natureza humana! 
Nem com o mundo na literal palma da mão!
Que Céu amar satanicamente isto tudo! 


O fumo faz mais tempestades. 
(Iria lá eu saber que o planeta está a morrer) 
Não há problema! Não querem saber! 
Dizem que está tudo mal, 
Mesmo assim fazem pouco ou nada! 
Porém dizem que é uma catástrofe! 
(Vá, uns nem isso) 
Eu digo que venham! 
Venham as tempestades! Venham os trovões! Venham os nevões! 
Enterrem-me em sete palmos de neve! 
Façam de mim um boneco de neve! 
Que venha o Inverno nuclear! 
NU-CLE-AR


Ó modelos, ó cais, ó televisão, 
Ó computador, ó telemóvel! 
Ó ruelas entaladas de turistas! 
Ó muralhas de carros, carrinhas e camiões! 
Eu quero um novo Sol. 
Quero o NU-CLE-AR.
Quero ser nuclear!


EIA inovação! Eh-lá repetição! 
Eh-lá pachorrentos escândalos de corrupção! Jamais acabarão! 
Eh-lá vendedores de veneno de cobra política! 
Eh-lá esperança engarrafada! 
Eh-lá filhos de diplomatas! 
Eh-lá botequins, bares e discotecas! 
Concentrem em mim toda a torpeza da sociedade mais moderna ainda! 
Inebriem-me até não ver senão o nuclear! 
O NU-CLE-AR! 


Olá outra vez, escolas públicas e privadas! 
Olá, escolas públicas privadas!
Olá, publicidade!
Afoga-me em materialismo! 
Afoguem-me nos lagos tóxicos e poluídos! 
Façam-me beber rios inteiros de detritos de celulose!
Olá, chuvas ácidas! 
Ai que néctar corrosivo dos solos que me cativa! 


Ó novas drogas! Mais potentes que vos querem banir, mas ninguém vos doma! 
Nem com balas, nem com bastões, nem com nada! 
Terá de ser com uma bomba atómica, 
O nuclear da matéria efemeramente eterna, 
A desumanidade humana do vício 
Jamais acabará! 
NU-CLE-AR. 


Enfezados nobres de sarjeta, saúdo-vos! 
Aristocratas sem escrúpulos, saúdo-vos! 
Novos ricos e ricos velhos, saúdo-vos! 
Gigantes da tecnologia, saúdo-vos! 
Burguesinhas e novas burguesas, saúdo-vos! 
Esmaguem os vossos filhos com coisas! 
Mais, mais, mais! Mais coisas! 


Quero ser um pimp disto tudo! 
Um novo termo tão chique! 
Ah, não é preciso... 
Basta apenas uma câmara de filmar.


Álvaro de Campos 
Entroncamento - 2021
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Poemas

18

Fénix Triunfal

Pensavam que estava morto?
A alma de um poeta não morre com a loucura.
Deixei de estar louco? Não.
Não estou morto então.
Renasci. Ou melhor... Sempre vivi
Ohohohoho. Hihihihi
Passou muito tempo desde a última vez que escrevi. 


O meu plano de engenheiro está desatualizado.
Gaita! Merda! Já meteram o Homem no espaço.
Já descobriram tantos planetas mais,
Estrelas, planetas anões, 
(Plutão já não é um planeta) 
Buracos negros! Einstein tinha razão! 
Até fotografaram um! 
Quarks e positrões!


Agora, em vez de meninas de 8 anos,
A ordenhar mancebos nas escadas
São meninas de 14 ou 12.
Que belo! Que belo o progresso!
Talvez daqui a mais cem anos teremos meninas de 18 ou de 16.


Supersónico! Caramba! Barreira do som?
ZOOOOOOOOOOOOOOOOOM!
Nem sabia que isto sequer existia!
As máquinas estão diferentes.
Já não é o ranger estridente e louco de antigamente. 
(Antigamente que era o mais moderno que poderia haver na minha mente).
Agora é tudo mais calmo, pausado, preciso, mas louco ainda noutras coisas irremediavelmente iguais. 


Tenho saudade da loucura das máquinas trovadorescas! 
Tenho saudade do CLLLLLLAAAANG, Piiiiiii, xu-xu-xu
Agora é tudo ziiiii, zoot, xiiii.
Já não há lá quase homens também.
Também não era difícil de prever,
As máquinas dominam o mundo agora
Os aviões parecem dardos. 


Telemóvel? Porra, andar nas mãos com um telefone e poder escrever poemas nele!
Na mão! No bolso! A roçar a masculinidade! 
Internet? Tudo ao contacto!
Filmes, textos, imagens 
Ideias, inteligência, estupidez 
E a pornografia, caramba!
Torrentes e correntes dela!
Para todos os gostos e feitios!
Sem filtros! Já não é uma fotografia atrevida que sacia um homem!
Tem de ser um vídeo de ultra MEGA
qualidade. HD? High definition.
Ultra HD? 4K? 
EIA EIAAA EIAAAA
Que insanidade de pornografia!
Que insanidade de ideias desta nova modernidade! Que loucura! 
Pedirei que me invada outra vez? 
Estalarei o cérebro com isto.
É preciso que entre aos poucos.


Os comboios já não deitam fumo. 
São eléctricos, uns a diésel ainda.
Os navios... Que magníficos navios de transporte!
Yachts topo-modelo
E cruzeiros que envergonham a linha inteira
Dos melhores da White Star! Há mais! 
Fragatas com radar e porta-aviões do tamanho de uma vila! 
Até nem pode deixar de haver um desastre naval!
Concordia, bom-porto no além te veja! 
(Não morreu nem uma fração das vítimas do Titanic.
Ouvi dizer que está na moda dramatizar tudo agora. Sempre esteve).

O rodopiar insano de um helicóptero 
Faz-me lembrar um velho tio que se engasgava sempre que ia para comer. 
Ó infância, já eras distante ao que sou... 
Como serás para mim agora? 
E fica parado no céu ! Também os aviões! 
Chamam-lhe de VTOL. 


O Estado Novo colapsou numa revolução 
O Azarado caiu da cadeira! 
As colónias declaram independência e
O Império Britânico caiu! 
Até pareço de outro mundo! 
A guerra para acabar todas as guerras travou outra pior por 20 anos. 
O bigodelhas sempre foi tentar conquistar a Europa.
Há democracia, mas queixam-se do mesmo 
E há os que querem a ditadura de volta! 
Que belo! Que louco! Que repetição nesta doce novidade insana! 
Que fenomenal será a terceira! 


Mal consigo acreditar no nuclear. 
Num som ensurdecedor pelo que parece, 
Num rebentar de luz,
Um mundo inteiro desaparece. 
Que bomba! Há milhares delas para acabar com o mundo mais de uma porrada de vezes! 
Que intransigente loucura do Homem!
Kaboom! Zoom! Pooom!
Nem dá para piscar os olhos! 
E que opções de escolha! 
Plutónio, urânio, hidrogénio. 
Tau! Uma bola de fogo! 
Há em bomba ou foguete. 
Míssil balístico intercontinental para ser mais exato. 
I-C-B-M
Vão sozinhos e aniquilam o que lhes vai à frente. 
Um míssil, uma cidade inteira senão mais! 
Até se sente mais que uma vez pelo planeta! 
O Inferno na Terra! Conseguimos! 
Conseguimos libertar Satanás! 


EIA, EIA eiaaaaaaa
Que banalidade de vida vejo nas pessoas em que o mundo vira e gira à sua volta 
Com isto! 
Como tudo muda e nada muda ao mesmo tempo! 
Há uma coisa que é redes sociais 
Onde há pessoas que querem ter estranhos 
A seguir tudo e mais alguma coisa do que fazem.
Nada de jeito!
Que inutilidade tão fascinante! 


As pessoas parecem sardinhas. 
Se não pareciam antes nas grandes cidades agora são mais. 
Marujos e capitães aproveitem esta pescaria toda! 
Comam-na que é vasta e burra! 
Burra como sempre foi! 
Burra como sempre teve de ser! 
Burra como sempre deverá de ser nem para mal nem para bem! Como sempre foi! 
Mais gente, épa-hoy! 


Anúncios por toda a parte! 
Carros, cremes, supermercados, mais telemóveis, computadores... 
Máquinas de escrever com telas. 
Até que lhes apanhei o jeito 
Jogos, vírus... Pornografia em tela grande 
(Só para não falar nas televisões) 


Ai, estou pronto! 
Expludam-me com uma bomba nuclear! 
NU-CLE-AR! 
Fundam o núcleo do meu ser com o núcleo da Terra
Com este poder doido que têm! 
Ainda não estão lá? 
Não com isto? 
Escavem mais fundo! 


NU-CLE-AR!
Clarifiquem a minha mente
Que me parece que está tudo burro.
Com tanta tecnologia e informação 
Mais burros ainda estão! 
O povo já não cava! 
Como poderá ser? 


Estou nú! Completamente nú!
(Não, não estou também a fazer pornografia)
Nú de ideias! Renasci e quero morrer! 
Só para renascer e voltar a morrer! 
Estou como vim à Terra! 
Outra vez e outra vez terá de ser! 
NU-CLE-AR!
Num relâmpago de luz branca e amarela 
Estou psicadélico com radiação! 
Ai, que insanidade! Que loucura de modernidade!! 
Que franca Europa unida e desunida
É claro que os ingleses tinham de sair! 
Perderam o Império, misericórdia! 


NU-CLE-AR
Estou sem fôlego com o que vejo
Gente que compra, compra e compra.
Esquece-se do que compra e de quem compra
E vai comprar outra vez! 
Tudo igual, mas ligeiramente diferente! 
(Só para dizer que não é igual) 
Já era assim, mas agora é com tudo o que se vende!


Outra pandemia!
(Porra, tenho de vir ao mundo e lidar com duas?) 
Uns querem saber, uns não. 
Uns morrem e outros não! 
Nada muda na natureza humana! 
Nem com o mundo na literal palma da mão!
Que Céu amar satanicamente isto tudo! 


O fumo faz mais tempestades. 
(Iria lá eu saber que o planeta está a morrer) 
Não há problema! Não querem saber! 
Dizem que está tudo mal, 
Mesmo assim fazem pouco ou nada! 
Porém dizem que é uma catástrofe! 
(Vá, uns nem isso) 
Eu digo que venham! 
Venham as tempestades! Venham os trovões! Venham os nevões! 
Enterrem-me em sete palmos de neve! 
Façam de mim um boneco de neve! 
Que venha o Inverno nuclear! 
NU-CLE-AR


Ó modelos, ó cais, ó televisão, 
Ó computador, ó telemóvel! 
Ó ruelas entaladas de turistas! 
Ó muralhas de carros, carrinhas e camiões! 
Eu quero um novo Sol. 
Quero o NU-CLE-AR.
Quero ser nuclear!


EIA inovação! Eh-lá repetição! 
Eh-lá pachorrentos escândalos de corrupção! Jamais acabarão! 
Eh-lá vendedores de veneno de cobra política! 
Eh-lá esperança engarrafada! 
Eh-lá filhos de diplomatas! 
Eh-lá botequins, bares e discotecas! 
Concentrem em mim toda a torpeza da sociedade mais moderna ainda! 
Inebriem-me até não ver senão o nuclear! 
O NU-CLE-AR! 


Olá outra vez, escolas públicas e privadas! 
Olá, escolas públicas privadas!
Olá, publicidade!
Afoga-me em materialismo! 
Afoguem-me nos lagos tóxicos e poluídos! 
Façam-me beber rios inteiros de detritos de celulose!
Olá, chuvas ácidas! 
Ai que néctar corrosivo dos solos que me cativa! 


Ó novas drogas! Mais potentes que vos querem banir, mas ninguém vos doma! 
Nem com balas, nem com bastões, nem com nada! 
Terá de ser com uma bomba atómica, 
O nuclear da matéria efemeramente eterna, 
A desumanidade humana do vício 
Jamais acabará! 
NU-CLE-AR. 


Enfezados nobres de sarjeta, saúdo-vos! 
Aristocratas sem escrúpulos, saúdo-vos! 
Novos ricos e ricos velhos, saúdo-vos! 
Gigantes da tecnologia, saúdo-vos! 
Burguesinhas e novas burguesas, saúdo-vos! 
Esmaguem os vossos filhos com coisas! 
Mais, mais, mais! Mais coisas! 


Quero ser um pimp disto tudo! 
Um novo termo tão chique! 
Ah, não é preciso... 
Basta apenas uma câmara de filmar.


Álvaro de Campos 
Entroncamento - 2021
7 958

Henrique

Henrique: Príncipe do Lar,
Infante da pátria, Senhor de Portugal,
Que por sua ordem, dono d'Além mar. 
Senhor, não vistes o seu sal? 


Cavaleiro não de torneio. 
Guerreiro, sim, de peleio. 
Contra a Maura lança, ora nem mais. 
Porém, verdadeira glória lançada de cais. 


Mas, Senhor... Não vistes o seu sal?
Não são só lágrimas de Portugal... 
Lagos. São lagos delas fartas.
Com o mar e as suas ondas partas.


Partas nô mais por obra
De quem a mão nos guia a glória,
De quem pera nós o Bojador dobra,
Cabeça que pronuncia vitória. 


Cabeça régia no cavalo branco 
De grifo sério descaradamente triunfal.
Indiferente não ouvis o pranto 
E arrecadais o quinto abismal.


Cumpriu-se o mar e a terra se uniu. 
Redonda e esbelta por louvor... 
Mães dos filhos se dividiu... 
Como pudestes, Senhor? 


Tal miséria não foge a crónicas. 
O sinal não é este, não é este mal
De nenhumas bases canónicas. 
Senhor, é por isto, é por isto que se falta cumprir Portugal. 


Como pudestes aceitar quinhões
Em nome de Cristo na sua mão?...
Como não berrastes contra os grilhões, 
Ó Príncipe da Ínclita Geração?
7 902

Galiza, terra mãe

Galiza, terra mãe... 
Já não sabes quem és.
Presa na dúvida estirada está... 
Esta terra céltica, sueva e nortenha em mãos visigóticas. 
Queres aproximar-te ao teu filho?
Filho este que em parte te anseia... 
Porém à sua imagem.
Imagem esta de homem feito,
Distante do que a mãe outrora fora. 
Ó nossa mãe, quem és? 
És tu mesma ou és o que impuseram a ser? 
Que com o passar do tempo aceitaste que era o que eras. 
Nossa mãe, não sabes quem és... 
És como nós ou a nossa família que te absorveu?
És tu mesma ou a tua irmã? 
A tia Castela engoliu-nos a todos
A nós, teu filho, aos nossos avós e às nossas tias.
Ela toma um novo nome
Jura ser não ela mesma, mas a família, 
mas a língua dela foge para a verdade. 
Reprime-te a ti e às tuas irmãs se quiserem fugir. 
Jamais estará plenamente saciada. 
Com uma boca, da qual fazes parte, ó mãe. 
Ela anseia devorar-nos quando a altura for oportuna. 
Fugimos miraculosamente, mas ainda estás aí, ó mãe... 
Encontra-te. Talvez nos encontres. Ou não.
7 894

Rapazes de La Lys

Pelo prazer de Mahr e de Drude,
Os nossos rapazes de La Lys
Foram mortos como uma perdiz
Numa ofensiva mais do que crude…


Que há longo tempo pesadelo
De que o exausto boche passara,
Na doce alma vinda do Restelo
A sua maldição libertara.


Cansados de uma má guerra alheia
Pela aliança inglesa trazida,
Nunca mais tratada de alma cheia,
Da honra Portuguesa cumprida.


Enlamecidos de grande terror,
Neste massacre em dor infernal. 
Para os filhos de uma nação horror
A Primeira Guerra Mundial.
679

O Amor é uma Nação

Porque escrevo Amor com letra maiúscula?
Porque o Amor é uma enorme nação.
Uma nação em que a razão é minúscula
E em que não há nem um habitante são.

Há cegos que veem e falantes mudos
Que falam, veem, não sabem onde estão.
Surdos que cantam e bodes cornudos
Que choram e choram por um senão.

Ora eufóricos, ora tristonhos.
(Por uma flecha atroz mais que cortados)
Num lento veneno ficam risonhos

Vasta em mão-de-obra e carne de canhão
Lança-se na guerra contra o bom senso
E ficam tombados milhões no chão

Mas a cada regra há uma exceção.
A qual escapa esta nobre nação
Esta, sublime, só pode ser e é
O puro amor descrito por Platão.
684

Guerra Colonial

Enviados de todos os campos,
Enviados de todos os lares,
Foram todos eles para a guerra
Lutada lá, para além dos mares.


Brada da tua espada, soldado
E vai atá-la à tua espingarda.
Vais à frente contra o Terrorista,
Nunca mais baixes a tua guarda.


Ata os troncos, vá, pobre criança,
Que o tirano Português te espera.
Há séculos que este explora e rouba
A nobre África, Lusitana fera! 


Soldado, perdido lá ficaste.
Determinaste a tua arma baixar,
Porque juraste pelo teu filho 
Que um gaiato não irias matar.


Pelas mães, esposas e comparsas,
Por nações livres de toda a parte
Condenada foi esta fel guerra,
Da qual só se envergonhava Marte.
678

O absurdo

O absurdo é ser viúvo sem se ter mulher, 
Pensar em algo que não existe, 
Sentir o que não sentiste. 
Contemplar algo que não se pode ver, 
Nem se compreender
Ou compreender.
Repetir, a repetição, repetir.
Ver a alma de alguém como uma tela de cinema
Ou de lá não ver nada de todo.


Fundir.
Fingir o fingimento
Ou nada somente sentir.
Ambicionar o inexistente, 
E imaginar uma nova cor.


Fundir. 
Blandícia de ferro, 
Uma Insofreável dor. 
659

Cristo

A ti Vi-te numa igreja,
A ti Vi-te numa catedral,
Não vi, senti, é igual.
Até que me apercebi que esta parelha 
Estava muito mal, mal, mal.


Hipocrisia profunda
Hipocrisia infinitesimal
Ouro, prata sem igual.
Apercebi-me que esta eterna rotunda 
Estava muito mal, mal, mal.


Já não te Vi em igreja. 
Já não te vi em catedral.
Mas via, sentia, era igual.
Apercebi-me então... 
Estava muito mal, mal, mal.


Esta sensação que se veja
Era ilusória, infortunal.
Apercebo-me... 
Estive sempre muito mal, mal, mal.
691

A novidade é uma repetição

A novidade é uma repetição. 
Velho, novo, antigo. Ai Deus, meu senão. 
Parece tudo uma repetição. 
Verso novo que não vale um tostão. 
Velho, novo, antigo. Ai Deus, meu senão. 


Sonho, mas não sonho de novo não. 
Velho, novo, antigo. Ai Deus, meu senão. 
Parece tudo um enorme refrão. 
Verão velho, de versos novos não. 
Velho, novo, antigo. Ai Deus, meu senão. 


Referências e reputação. 
Velho, novo, antigo. Ai Deus, meu senão. 
Parece tudo nada. Ai sim, ai não. 
Só tédio, calor e não sensação. 
Velho novo, antigo. Ai Deus, meu senão. 


Velho, novo, antigo. Ai Deus, meu senão. 
Velho novo, antigo. Ai Deus, meu senão!
675

Ser

A ambição ganha-se

A glória sonha-se

A obra esconde-se

As ideias vêm 

O tempo foge

A alma mata-se
643

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