jacintovski89

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Henrique

Henrique: Príncipe do Lar,
Infante da pátria, Senhor de Portugal,
Que por sua ordem, dono d'Além mar. 
Senhor, não vistes o seu sal? 


Cavaleiro não de torneio. 
Guerreiro, sim, de peleio. 
Contra a Maura lança, ora nem mais. 
Porém, verdadeira glória lançada de cais. 


Mas, Senhor... Não vistes o seu sal?
Não são só lágrimas de Portugal... 
Lagos. São lagos delas fartas.
Com o mar e as suas ondas partas.


Partas nô mais por obra
De quem a mão nos guia a glória,
De quem pera nós o Bojador dobra,
Cabeça que pronuncia vitória. 


Cabeça régia no cavalo branco 
De grifo sério descaradamente triunfal.
Indiferente não ouvis o pranto 
E arrecadais o quinto abismal.


Cumpriu-se o mar e a terra se uniu. 
Redonda e esbelta por louvor... 
Mães dos filhos se dividiu... 
Como pudestes, Senhor? 


Tal miséria não foge a crónicas. 
O sinal não é este, não é este mal
De nenhumas bases canónicas. 
Senhor, é por isto, é por isto que se falta cumprir Portugal. 


Como pudestes aceitar quinhões
Em nome de Cristo na sua mão?...
Como não berrastes contra os grilhões, 
Ó Príncipe da Ínclita Geração?
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Poemas

18

Não Filosofia

Eu poderia escrever sobre o que é a filosofia de não filosofar,
Mas para escrever sobre a filosofia de não filosofar
Não poderia filosofar,
Nem escrever sobre filosofar
Não poderia escrever.
No entanto escrevo... 
Logo, ao escrever sobre a filosofia de não filosofar,
Não escrevo sobre a filosofia de não filosofar.
Escrevo da minha ideia da filosofia de não filosofar
Que não é a filosofia de não filosofar.
Poderia se fosse possível,
Mas não posso porque não o é.
672

O Amor é uma Nação

Porque escrevo Amor com letra maiúscula?
Porque o Amor é uma enorme nação.
Uma nação em que a razão é minúscula
E em que não há nem um habitante são.

Há cegos que veem e falantes mudos
Que falam, veem, não sabem onde estão.
Surdos que cantam e bodes cornudos
Que choram e choram por um senão.

Ora eufóricos, ora tristonhos.
(Por uma flecha atroz mais que cortados)
Num lento veneno ficam risonhos

Vasta em mão-de-obra e carne de canhão
Lança-se na guerra contra o bom senso
E ficam tombados milhões no chão

Mas a cada regra há uma exceção.
A qual escapa esta nobre nação
Esta, sublime, só pode ser e é
O puro amor descrito por Platão.
688

Rapazes de La Lys

Pelo prazer de Mahr e de Drude,
Os nossos rapazes de La Lys
Foram mortos como uma perdiz
Numa ofensiva mais do que crude…


Que há longo tempo pesadelo
De que o exausto boche passara,
Na doce alma vinda do Restelo
A sua maldição libertara.


Cansados de uma má guerra alheia
Pela aliança inglesa trazida,
Nunca mais tratada de alma cheia,
Da honra Portuguesa cumprida.


Enlamecidos de grande terror,
Neste massacre em dor infernal. 
Para os filhos de uma nação horror
A Primeira Guerra Mundial.
683

Os pensamentos (não ditos) de D. João, Condestável de Portugal

Fui alguém. Alguém apagado
Entre tão grandes almas minhas pares. 
E de Quem viu nas armas honra feita 
De Nun' Álvares herdei a espada. 


(Singrou a Fé pelo Evangelho 
Em vez da vã e bruta armada. 
Anteveu, vidente de Ares,
A aventura desastrada.)


Mais que Português sou Homem. 
Mais que querer, poder
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita 
O todo ou o seu nada... 


Quis a paz e a fraternidade roubada. 


Condenado que seja pela pátria
De covardia entre o viril. 
Antes vista como cobarde e banal 
A minha alma justa e calma 
Que da insensatez só servil. 


O meu dever pela pátria cumpri. 
Nem mais, nem menos por Misericórdia.

(Nem caberia na justiça dos fados). 


Por ela o esquecimento escolhi 
Fiel sempre, mesmo na discórdia 
Deus sabe dos meus dedos singrados.
E se não souber... Que assim seja
Na Sua glória.
679

Insónias

Não durmo de noite porque tenho de dormir de noite.
Se não tivesse de dormir de noite, dormeria de noite
Porque não me preocuparia em ter de dormir de noite.
673

O Sofrimento

Por quem sofre, por quem chora,
Não desespere, que a vida é matreira
Porque quem vive só a sofrer 
Não sabe viver doutra maneira.


É do Sofrimento que vem o caráter,
É do Sofrimento que vem a Realidade,
Ora, pois, quem nunca sofreu na vida, 
Não sabe a diferença entre o bem e a maldade.


Não dá valor à vitória alcançada
Porque decerto não é por nada 
Que um certo homem cujo nome
É mais do que adequado à personalidade

Disse-nos num curto poema que
“Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor”
Vitória sem dor é vitória com bolor…


Vitória sem dor, não é vitória… 
Não é nada, é ilusão de vitória!
O mar não nos foi dado…
Foi arduamente conquistado!


Quem sofre é quem vê… 
Quem sofre é quem ama….
Quem sofre é quem sente
Quem sofre é quem é grande


Pois do Sofrimento vem a sabedoria…
O saber da vida é tão diverso…
Mas quem sofre irá sofrer mais, então…
Lembre-se destas palavras que escrevo em verso:


Dura vida, que vosso desafio aceito
En garde! Em frente! 
Que eu hei de me aguentar
Do nascer até ao poente!


Com um sabre contra-sus!
Que é o Sofrimento 
Que vos dá significado 
Que dá significado ao vosso fim!
671

Cristo

A ti Vi-te numa igreja,
A ti Vi-te numa catedral,
Não vi, senti, é igual.
Até que me apercebi que esta parelha 
Estava muito mal, mal, mal.


Hipocrisia profunda
Hipocrisia infinitesimal
Ouro, prata sem igual.
Apercebi-me que esta eterna rotunda 
Estava muito mal, mal, mal.


Já não te Vi em igreja. 
Já não te vi em catedral.
Mas via, sentia, era igual.
Apercebi-me então... 
Estava muito mal, mal, mal.


Esta sensação que se veja
Era ilusória, infortunal.
Apercebo-me... 
Estive sempre muito mal, mal, mal.
696

Ser

A ambição ganha-se

A glória sonha-se

A obra esconde-se

As ideias vêm 

O tempo foge

A alma mata-se
647

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