Cartas
Das mil e umas estórias de amor que quis contigo escrever, transformadas em tragédias,
Entre os amigos, o álcool e as putas da ruela
Oposta àquela em que te conheci
Fiz uma epopeia da sanidade à loucura
Um loop fleumático de orgasmos e ereções desapaixonadas
Escrevi mil palavras e as tranquei em cem cartas
Que traduziam o desgosto dessa agora minha vida
Vida que vivo dia após dia buscando nela a despedida
A despedida que deixei nas cem cartas que rasguei
Cem cartas, agora sem cartas
Palavras que só o vento, só o vazio leu
palavras que te diria nos dias envoltos em bruma
Palavras que carregaram o entusiasmo de uma vida
Uma vida traduzida em cem cartas regadas por mil palavras
Palavras que te diria, mas hoje esvoaçam perdidas
Quem dera se firmem lá na ruela
Para que tu as possas acolher
Eu estarei na outra, no lado oposto!
Jhr, ULS.
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