CEMITÉRIO ESQUECIDO
Ah, cemitério esquecido
e morto como seus mortos
no meio de uma coxilha
longe de todos os olhos.
Foi em tuas proximidades
que o campo virou mortalha
ao fim de uma batalha
da grande revolução.
Quantos de teus habitantes
lutaram sem ideal
e agora repousam longe
da sua terra natal?
Ah, cemitério esquecido
nem um mapa te registra,
nem estrada te visita
e não há cerca ou marcação.
Só o vento te cochicha
um punhado de segredos
recolhidos no degredo
sina de todos os ventos.
Ah, cemitério esquecido
com cruzes enferrujadas
e nomes já apagados
de lápides desgastadas.
Hoje o mato nasce e morre
sobre tuas sepulturas
e as raízes se forjam
a tua velha estrutura.
És a imagem do abandono,
da desconsideração
com tantos homens valentes
que repousam neste chão.
Ah, cemitério esquecido
tua localização
só a noite denuncia
através da combustão
Do fogo-fátuo que assombra
o xirú desinformado
que imagina estar diante
de um cemitério assombrado.
Comentários (0)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
Ainda não há comentários. Sê o primeiro a comentar.
Outros poemas de participantes
Taberna do Sol Poente
Dodge Leal
A trilha da dor não é eterna, E me formei com diplomas... Meu Deus! — naquela taberna! Mas lá é a ruína dos axiomas.…
Julian Lael
Tudo o que pedi
Juntos, sem questionar,
no ritmo de Caribe clássico,
muito além dos petroglifos.
Ler com o que há de mais fino:
o casamento s…
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Carta lacrada.
Esta carta lacrada em selo vermelho é para ti... que nunca irei conhecer... pois nunca me observou andando nas ruas desertas de minha cid…
Ademir D.Zanotelli *Poeta*
Palavras escritas.
Tudo que escrevo se torna em vão - não há resposta das palavras escritas : com muito amor e muita alegria - satisfação. Tudo que penso …
Ademir D.Zanotelli *Poeta*