Metrópole clandestina, império dos caídos,
Tuas ruas: tantas cruzes, tantas dores,
Congestionam-se; o matizar de tuas flores
Inda tenta arfar ao breu dos esquecidos.

Ah! Jerusalém, Brasão de todos os vencidos,
Herança imácula, capsula ígnea de odores,
Tua gênese abstrata purga-nos de horrores
Na broca bruta de teus filhos exauridos.

Ó, morada eterna, passagem auriu de paraísos:
Exila, aparta, expira, agrilha, apaga
Os lamentos de minhas dores ancestrais...

E assim, no abraço douro de teus cristos,
Que possa, em fim, a minha podre alma autófaga, 
Dormir em paz no céu do deus do Nunca Mais.

Itamar FS
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