Poesia de Bordel
São meia-noite de uma meia noite no centro de alguma cidade.
Aqui, na mesa da minha consciência, ando com os sonhos em tragos,
Estragos comuns que me levam a dança leve da madrugada, talvez por necessidade
E sempre que estou aqui, minha garganta sai aos rasgos.
Talvez sejam os perfumes que se misturam ou a vodka que tem gosto de pudor.
Quem sabe em que seranata acabará esse nosso furor, amor?
Mas continue sua dança enquanto meus sentidos se esquecem de esquecer,
Hoje teus sorrisos terão o prazer de me conhecer!
Nos apresentamos com olhares dançantes e goles em copos de vidros,
Meus sentimentos saem em gestos complicados, de improviso.
E tu, como com todos, retribui com seus amores previamente ensaiados,
Aquelas coisas que as más-línguas dizem deixar todos apaixonados.
E trocamos algumas palavras para que os beijos façam algum sentido.
Pensando bem, todo esse clima não é poético?
Me entrego as tuas carícias, tentando esquecer o que deve ser esquecido
E tento me convencer que isso é amor, não algo totalmente estético.
E o frio da rua não combina com o calor dos nossos corpos.
O contraste da rua vazia e nós dois aqui, tão cheio de nós.
Enquanto contamos nossos pecados, não ligamos para os olhos tortos.
Hoje seremos hoje, seremos momento, sem preocupar com após!
Entorpecido nas linhas que seu corpo insiste em ter.
Escrevendo em você sensações que são impossíveis de escrever.
A noite é toda nossa, pelo menos enquanto durar essa mentira.
Trancamos a porta dos nossos corações, não vai ter quem interfira.
Nos despedimos então entre maços de dinheiro e maços de cigarro,
Você se vai com os olhos de felina que destaca seus belos traços.
Ensaio uma responsabilidade que se vai num ato, num pigarro,
O mundo fica tão estranho longe dos seus braços.
São meia-noite de uma noite que sempre vejo terminar.
Volto para o frio da minha residência, sem querer acordar.
Sou desses poetas vadios que só querem alguma estrofe para o coração
E é sempre no embaraço do seus beijos que acho minha inspiração.
Hebert Santos
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