Eu era forte quando negligente
negava a influência indolente
do tempo sobre a existência
era ventania, braço cortado
apartado do corpo
a remar contra a maré
era bravio e independente
perene, inteiro, transversal
eu insurgia e contemplava
não queria ser aceito ou acolhido
eu evitava ser especial
o mais lembrado, o escolhido
eu não queria nada de menos ou de mais
tinham-me como indiferente
eu não era nada além de livre
e esse pouco que eu tive
era o infinito que me bastava
estava só – e não tinha consciência
do que era a solidão
a tristeza não passava de um condão retórico
sobre um ponto de vista cadavérico
no deserto estratosférico da multidão
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