sopros...trovas soltas
correm meus dedos trazendo
uma vontade enlouquecida
correm as saudades batendo
com saudades da própria vida
no rio reflexo dos salgueiros
cabelos agitados ao vento
das hortas me vem os cheiros
do fundo da alma o lamento
pássaros de peito inchado
e brancas flores abrindo
ao longe o som do arado
já as estrelas vão caindo
faço coro com a ventania
com as rãs e sua voz rouca
prende-me o choro da cotovia
e das cigarras a cantoria louca
não sei se deixe morrer...
o que hoje me atormenta
meus versos hão-de querer
livrar-me do q' m'apoquenta
natália nuno
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