A Força do Silêncio
No principio fez-se doído o silêncio
Que em latência manteve-se à retaguarda
Tu fostes sombra
Sempre tão presente
E imersa em mim
Jamais te ausentastes
E eu fiquei então aprisionada
Envolta estive em lágrimas vicejantes
Que inocentes
Me lavavam a alma!
Vi o silêncio
A ocupar-me inteira
Num movimento além do tempo-espaço
Foi quando o luto
em sua plenitude
Abriu-se em luz na escura madrugada
Ao aplacar em mim a dor profunda
E o desencanto que me ocupava
A luz candente me guiou serena
A transpor fronteiras antes impensáveis
Ergui-me em meio à cascata de lágrimas
Que estagnada mostrou-me as veredas
Da misteriosa cartografia humana
Que para além da sua vã cegueira
Nada enxerga além da própria sombra!
Revivido e pleno se fez o entendimento
Que em vigilia
Nasceu pacificado
Em douta e cabal
descoberta do humano
João pessoa, 24 de outubro de 2021.
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