No meio de mim

No meio de mim flutua uma prece corroborante e prolixa
Sucinta toda ela se engalana de palavras corteses e profundas
É o retrato da fé que se esgueira no meio de luminescências fecundas
No meio de mim o silêncio traduz-se num eco casto, esdrúxulo e gentil
É o axioma matemático onde se multiplica um afago e um olhar de perfil
O intratável lamento inequívoco que além se desnuda no meio da manhã tão febril
No meio de mim as sombras apascentam o subúrbio dos sussurros mais literários
Dessedentam todos os medos contidos no interminável ciclo de desejos sumários
Copiam a translação e a imprevisibilidade dos delírios solenes…quase incendiários
Frederico de Castro
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